“Como assim? No meio da madrugada, o Sr. Junqueira tinha mania de espiar os outros? Ficou parado do meu lado feito um fantasma, queria assustar quem?”
“Ah... não é isso...”
Alvito ficou muito constrangido, recuando a cabeça novamente.
Reinaldo acelerou e saiu dali.
Deixou Alvito sozinho do lado de fora.
Só então Priscila recuperou a compostura.
“Por que esse medo todo? Não estamos tendo um caso!”
Reinaldo abaixou o vidro da janela do carro.
Estendeu o braço para fora, os dedos longos e a pele clara, segurava um cigarro entre as pontas dos dedos. As mangas estavam dobradas até o antebraço, apoiando casualmente na janela.
A mão dele era belíssima, com veias salientes que demonstravam força.
De vez em quando, ele dava uma tragada e batia a cinza do cigarro pela janela.
A cinza brilhava e se apagava na ponta dos dedos, como uma estrela.
Já era noite alta, e o carro de Reinaldo se misturava ao fluxo de veículos.
Priscila olhava preocupada para fora, sem saber quanto Alvito havia presenciado.
Reinaldo, como se tivesse visão de raio-x, leu todos os pensamentos dela naquele instante.
“Os vidros deste carro não permitem ver o interior de fora, pode ficar tranquila!”
Ao ouvir isso, Priscila finalmente respirou aliviada.
“Para onde está indo?”
Enquanto se acalmava, voltou a se preocupar com a atitude recente de Reinaldo.
Para onde ele queria ir?
Será que o que aconteceu ia continuar?
Reinaldo não olhou para trás, respondeu friamente: “Continuar o que ficou inacabado.”
Priscila, aflita, puxou o zíper do vestido.
“Você não tinha mania de limpeza? Ou esqueceu do que houve entre mim e Vicente?”
De repente, a velocidade do carro diminuiu bruscamente.
Num solavanco, a bochecha de Priscila bateu na janela ao lado, produzindo um ruído.
A dor veio imediatamente.
Reinaldo não disse nada, continuou dirigindo.
Por ter sido interrompido por Alvito, foi por isso que saiu dirigindo?
Então, o motivo de tê-la mandado descer do carro era para humilhá-la?
A cabeça de Priscila estava uma bagunça.
Nem sabia como havia parado na sala da mansão.
Luís ouviu passos e pensou que fosse Reinaldo voltando.
Colocou o roupão e acendeu a luz, mas viu Priscila parada, desolada, no hall.
“Sra. Duarte? Por que voltou tão tarde? O que aconteceu? A senhora está...”
Luís observou Priscila de cima a baixo.
Naquele momento, Priscila estava especialmente desarrumada, os cabelos caídos sobre os ombros, marcas de mordida no pescoço deixadas por Reinaldo.
Até o vestido de festa estava com o zíper quebrado.
“A senhora está bem? A essa hora, como voltou? Foi o Sr. Junqueira quem a trouxe de volta?”
Ele demonstrava preocupação por Priscila.
Afinal, Reinaldo já o havia mandado investigar Alvito antes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ainda Te Amo: O Porquê de Meu Coração