Não era época de feriado; por que ele compraria joias?
O aniversário do próprio Sérgio, aliás, estava chegando; ele não poderia comprar um conjunto e dizer que era presente para ele mesmo, certo?
Ele puxou o ar lentamente:
— Não precisa, não faça nada sem sentido.
Além disso, da última vez, Júlia não recusou a pulseira que ele dera?
Para que insistir em correr atrás dela?
Após a venda de joias da coleção, as marcas nunca revelam proativamente a identidade do comprador.
Júlia jamais esperou que, durante uma única reunião de projeto, ela pudesse ver dois conjuntos ao mesmo tempo.
Um no Lucas Franco — as safiras cintilantes combinavam demais com ele.
Outro estava em um investidor estrangeiro, Sr. Vanderlei.
Luciano Lima o apresentou:
— Este é o diretor do banco de investimentos estrangeiro e também meu avaliador.
Assim que Júlia pôs os olhos no investidor estrangeiro pela primeira vez, achou aquilo muito estranho.
Ele havia colocado as joias que acabara de comprar no lugar mais evidente possível, como se tivesse medo de que ninguém reparasse.
Ao olhar em volta, o seu contato visual não foi nada educado.
Passou os olhos em Júlia dos pés à cabeça, medindo-a minuciosamente.
O olhar, um tanto leviano, parecia o de um cliente no balcão de compras escolhendo uma caneta valiosa encrustada em diamantes.
Parecia estar calculando seriamente se a caneta era funcional e se combinava com sua posição social.
— Senhorita Guedes, da última vez em que esteve na Europa, eu a vi de longe.
Júlia agradeceu, sem conversar muito mais com ele.
Sérgio Santana foi o último a chegar.
Aprovaram o projeto, confirmaram a avaliação de risco e declararam o início da operação.
Sérgio lançou um olhar para Luciano Lima e perguntou:
— Por que a Clarice não veio com o senhor hoje?
Ao ouvir ele perguntar sobre aquilo proativamente, Júlia baixou levemente os olhos.
A preocupação de uma pessoa não pode ser disfarçada.
Ele nunca havia perguntado sobre a situação recente dela.
Mesmo que ela estivesse ali ao lado dele, era apenas ignorada.
Ele teve de dizer:
— Vou passar lá daqui a pouco.
Durante todo o tempo, não notou as expressões de Júlia.
Nem lhe passou pela cabeça.
Júlia apostava que Sérgio devia ter esquecido; hoje era seu aniversário.
Até a avó tinha lembrado a ele ontem que deveria voltar para casa e comer.
Após finalizar seus assuntos de trabalho, Sérgio foi embora rapidamente.
Luciano Lima viu que Júlia andava para fora sozinha e a acompanhou sem pressa.
— Senhorita Guedes, as palavras que disse na outra vez... a respeito do projeto, eu gostei muito.
Júlia não acreditou que estivesse tentando ser amigável.
Elevou levemente o olhar e o encarou:
— Se o senhor tem algo a dizer, pode falar abertamente.
Luciano estendeu as mãos:
— Não há necessidade de me ter tanta hostilidade, Senhorita Guedes. Eu apenas acho que todos nós temos um destino. Se alguma coisa é sua, quando você solta as mãos, ela sempre corre de volta para você. E o que não retorna, na verdade, não é o que lhe pertence.

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