— Sérgio... eu... eu não fiz por mal, eu... tinha prometido... a você.
— Eu não queria contar... de verdade, mas a Júlia... buááá.
O coração de Tia Simone estava transbordando de raiva.
Ela guardava rancor de Júlia por ter arruinado a festa de noivado da sua família.
E quem sabe como havia instigado a família da noiva a querer adiar o casamento e até mesmo recuar.
Com tudo aquilo virando um escândalo e tendo perdido a cara, ela já não se importava que a confusão ficasse ainda maior.
Por isso, ela gritou de repente:
— Ah! Clarice, oh, minha querida, você está carregando o sangue da família Santana no seu ventre!
Júlia paralisou por completo.
Ficou gelada da cabeça aos pés.
Em poucos segundos de respiração, sua mente ficou completamente em branco.
Alguns funcionários do local já haviam pegado lanternas e corriam para lá.
A luminosidade ofuscante a atingiu, fazendo-a lembrar-se dos flashes das câmeras da mídia quando fora acusada de ser a amante.
Protegida nos braços de Sérgio, Clarice evitou aquela humilhação, e ainda deu um leve sorriso para ela.
Com a respiração pesada, Júlia recuou meio passo.
Ouviu-se o leve farfalhar de um papel.
Sérgio viu que sob os pés de Júlia estava um exame de laboratório.
Clarice cobriu a boca com as mãos:
— Me desculpe, eu não queria contar para a Júlia, quem diria que, ao ver o exame, ela me xingaria... me chamaria de... vagabunda.
Seus olhos estavam vermelhos.
— Ela pode me xingar do que quiser, mas como pôde dizer para eu e o bebê morrermos juntos?
Os sapatos de Clarice haviam saído, e seu pé estava sujo de lama.
Ela estava enroscada em Sérgio como uma cobra mole e pegajosa.
Essa foi a percepção mais crua de Júlia naquele exato momento.
Sérgio também notou o exame de laboratório aos pés de Júlia.
Quanto a de onde tinha saído...
Seu olhar tornou-se gélido, observando Júlia e o paletó pendurado em seus ombros.
— Júlia, você não acha que foi um pouco longe demais?
Júlia apertou os lábios com força para não chorar alto.
Mas as lágrimas começaram a cair incontrolavelmente.
Tia Simone finalmente havia encontrado a sua oportunidade.
— Meu Deus! Como pode existir uma mulher tão cruel neste mundo, estamos falando de uma pequena vida.
Os convidados que ainda há pouco elogiavam as virtudes e os dotes culinários de Júlia também mudaram de expressão.
— Quem diria que a família Santana estivesse metida em tantos escândalos.
— Essa atitude da Júlia, embora seja compreensível que esteja brava, foi muito perversa.
— É verdade, ela também é mulher, uma gravidez não é brincadeira.
Júlia sentiu-se um pouco tonta, mas continuou a olhar fixamente para Sérgio.
— Você ainda não respondeu à minha pergunta.
Sérgio já tinha tomado Clarice nos braços:
— Exatamente, o filho é meu.

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