Com um clique sonoro.
Alberto pareceu perder completamente a razão. Ele se lançou subitamente sobre o Porsche, distribuindo socos e chutes furiosos na lataria.
Sérgio não demonstrava medo algum.
Quando assumira a empresa, lidara com problemas muito piores do que aquele.
Numa viagem ao exterior para uma reunião, quase fora atropelado por um motorista de caminhão pago pela concorrência.
Os chiliques de Alberto não passavam de uma brincadeira de criança.
— Droga.
Éder colou o rosto no vidro abruptamente.
— Acho que é a senhora.
Sérgio franziu o cenho instantaneamente.
De fato, Júlia vestia roupas de casa e trazia consigo um saco de lixo, caminhando naquela direção.
Como o condomínio de luxo era muito tranquilo, Alberto logo notou a sua presença.
Os olhos de Alberto faiscaram de ódio ao vê-la e, num ímpeto, ele correu na sua direção.
— Júlia!
Júlia, a poucos passos das lixeiras, ouviu alguém gritar o seu nome.
Logo em seguida, uma silhueta avançou brutalmente contra ela.
Ao reconhecer Alberto, o coração de Júlia parou.
O caminho era reto, desprovido de qualquer obstáculo para protegê-la.
Tudo que pôde fazer foi se abaixar atrás das lixeiras.
Alberto atirou-se em sua direção.
Contudo, antes que fosse atingida.
Passos apressados cortaram o ar e se aproximaram velozmente das costas de Alberto.
O que Sérgio estava fazendo ali?
— Afaste-se!
Sérgio ordenou com uma frieza cortante.
Ele agarrou Alberto e atirou-o para longe com força bruta.
— Senhora!
Éder guiou Júlia para um lugar seguro e pôs-se na frente dela, bloqueando a visão da confusão com o próprio corpo.
Sérgio acertou um soco impiedoso no rosto de Alberto.
O oponente revidou de imediato.
Alberto lutava como alguém sem saída, mas o semblante de Sérgio estava muito mais assustador do que o dele.
A sua mandíbula estava rígida; os seus olhos exalavam uma escuridão sinistra.
Fosse a desviar ou ao atacar, os seus movimentos eram precisos e letais, denunciando a sua experiência em brigas.
— Parem com isso! Todos quietos, é a polícia!
Sérgio ficou abismado ao presenciar um pai profanar a própria filha daquela forma.
Olhou para Júlia, franzindo o cenho, e notou que a expressão dela sugeria costume com aquilo.
Ela sequer dava atenção às ofensas.
Procurou nos bolsos, resgatou dois lenços de papel amarrotados e estendeu-os para as mãos de Sérgio.
Em seguida, esclareceu:
— Oficiais, este é... o meu marido. Estávamos sendo chantageados por este indivíduo.
A feição gélida de Sérgio carregava uma aura sufocante e perigosa, evidenciando o seu terrível humor.
Porém, ao ouvir aquelas palavras saindo da boca de Júlia, a sua expressão suavizou instantaneamente.
Pressionou o lenço de papel nos machucados, deixando surgir duas manchas avermelhadas no tecido.
Em seguida, colocou lenta e carinhosamente o braço em volta da cintura de Júlia, antes de o soltar.
— Sim, o pai da minha esposa tem dívidas de jogo e não as paga; em vez disso, prefere extorquir-nos.
E, voltando-se para Alberto, forjou uma expressão repleta de desgosto:
— Sogro, os dez milhões de reais que eu já lhe transferi não bastaram? O que será preciso para que você nos deixe em paz, a mim e a Júlia?
Júlia olhou fixamente para o homem ao seu lado.
O seu olhar questionava:
[?]
[Quem é o ator aqui, você ou eu?]

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