Com sua estatura elevada e pernas compridas, sua simples presença ali era imponente, mesmo em silêncio.
Entre o grupo de amigos.
Júlia foi a primeira a notá-lo, mas não esboçou reação alguma.
Sérgio pôde sentir que ela não ficara tão feliz em vê-lo como de costume.
Ele sempre vivia atarefado com o trabalho e quase não parava em casa.
Sempre que se cruzavam, em casa ou na rua, Júlia costumava exibir uma expressão agradavelmente surpresa.
Seus olhos se arregalavam primeiro, para então se curvarem em um sorriso.
Júlia possuía uma beleza exuberante. Quando não sorria, mantinha um semblante frio e distante, como um lago num dia de inverno.
Porém, quando estava alegre, seus olhos ganhavam o brilho do sol.
Um brilho reluzente e cintilante.
Contudo, agora algo havia mudado.
Sérgio manteve-se calado.
Lucas e Patrícia franziram a testa.
Patrícia, em especial, olhava para ele como se visse um fantasma que trazia azar.
Luana, que o via pela primeira vez, perguntou:
— Quem é esse?
Ela inclinou-se para ouvir os rápidos cochichos do irmão.
Imediatamente, seu rosto demonstrou um misto de confusão e total repulsa.
Entretanto, a rígida educação familiar dos Franco exigia boas maneiras em público.
Luana ajeitou a sacola plástica no antebraço e estendeu a mão, de forma proativa.
— Olá, olá, senhor ex-marido!
O rosto de Sérgio escureceu no mesmo instante.
Com os lábios apertados, dirigiu o olhar a Júlia:
— Eu vim procurar você.
Júlia não tinha a menor vontade de interagir com ele.
Porém, notou que ele segurava um envelope pardo.
Imaginou que fosse o acordo de divórcio.
— Podem ir subindo, eu já alcanço vocês.
Lucas questionou, preocupado com ela:
— Quer que eu fique?
Júlia negou com a cabeça.
Era melhor que resolvessem os detalhes do divórcio apenas entre os dois.
Após os amigos se afastarem, Júlia aproximou-se.
— Pode me entregar.
Sérgio, porém, retirou os papéis de dentro do envelope.
Ao ler as palavras no topo da folha, Júlia emudeceu.
A residência particular de Sérgio jamais havia sido um lar para ela.
Talvez ela houvesse sonhado com isso no passado.
Ela suportara um casamento desigual, limitara-se às rédeas das cláusulas contratuais, suprimira a própria personalidade, escondera seus ressentimentos e chegara ao ponto em que até a aproximação requeria uma cautela extenuante.
Seus sentimentos há muito haviam se esvaído diante dos limites que o próprio Sérgio impusera.
— Sérgio, você me fez perder tempo. Na próxima vez que vier, trate de trazer o acordo de divórcio devidamente assinado.
Júlia enfatizou suas palavras.
Com o cenho franzido com ainda mais força, ele retrucou:
— Se não está satisfeita assim, diga o que quer e nós podemos negociar.
Júlia deu um meio passo para trás, esquivando-se da mão que ele estendia.
Para Sérgio, o afeto era como um negócio a ser barganhado.
Primeiro, abaixava o preço; caso visse que estava baixo, tentava oferecer mais.
Júlia era diferente.
Gostar é gostar. Não gostar é não gostar.
Desde o momento em que decidira abrir mão daquele casamento, ela parou de tentar amá-lo.
— Diretor Santana, tenho pessoas me esperando lá em cima, com licença.
Dito isso, virou-se e foi embora.
Sérgio não foi atrás dela.
Mesmo numa situação daquelas, ele ainda era capaz de analisar o cenário estrategicamente.

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