Bernardo Santana estava comendo doces escondido.
Só depois de levar um tapa da mãe foi que ele deu um pulo.
Sérgio baixou os olhos e observou por um momento.
— Acredito que todos saibam que recentemente tenho levado Bernardo Santana à empresa com frequência. O objetivo é que ele, desde pequeno, tenha contato com os tios e veteranos da empresa para aprender a se comportar em sociedade.
Éder entregou a página do documento da pasta a Sérgio.
— Este é o meu teste de paternidade com Bernardo Santana.
Um dos executivos mais próximos comentou:
— Puxa, isso é uma grande notícia. O pequeno mestre tem um talento excepcional, com certeza herdou a sua genética. A nossa empresa também tem um sucessor agora, o futuro não tem limites, haha.
Sérgio continuou:
— Além disso, a Clarice também ocupará um cargo no grupo, e a cooperação com a família Cardoso será agilizada em breve.
A família Cardoso estava tão feliz que mal conseguia falar.
Até as famílias do tio mais velho e do Tio Paulo exibiam feições de alegria radiante.
Sérgio olhou friamente para a expressão triunfante daquelas pessoas e não expressou mais nada.
Em seguida veio a hora do brinde.
Todos se aglomeraram em torno de Sérgio e da família Cardoso. Uma hora elogiavam que o pequeno mestre era a cópia fiel de Sérgio, na outra elogiavam a classe de Clarice e de Marlene Martins.
Parecia até que não estavam no banquete de aniversário da Dona Helena, mas sim na festa de casamento de Sérgio e Clarice.
Dora, por ser baixinha, acabou sendo empurrada quando alguém se levantou.
Após uma rodada de brindes, Dona Helena cortou o bolo e retirou-se.
Foi só então que Júlia respirou fundo, preparando-se para pegar a criança nos braços e ir embora.
Clarice, com os olhos afiados, viu isso e imediatamente falou.
— Júlia, aonde você vai levar a criança?
Júlia ergueu a sobrancelha.
— Desde quando eu preciso informar à Senhorita Cardoso aonde eu vou?
As pessoas na mesa dela, temendo não deixar uma boa impressão com Sérgio, falaram de propósito:
Mas podia sentir que aquelas pessoas desprezavam sua mamãe e a ela também.
As lágrimas giravam em seus olhos.
— Vocês estão mentindo! A minha mamãe me ensinou a ter bons modos.
Ao ver a filha chorar, o coração de Sérgio doeu tanto que mal conseguia respirar.
Ele lançou um olhar cortante para Clarice: — Se disser mais uma palavra, você leva Bernardo Santana para a sala de descanso.
O rosto de Clarice mudou ligeiramente.
Aquela foi a primeira vez, desde a revelação do teste de paternidade, que Sérgio ficou zangado com ela.
Claro que tinha que ser por causa daquela vadia da Júlia.
Clarice sentiu uma enorme amargura no coração.
Especialmente porque sabia que, no fundo, Sérgio gostava mais de Dora, e se não fosse pelo filho, ele jamais lhe daria moral.
Clarice mordeu os lábios e finalmente forçou um sorriso: — Então está bem, Júlia, pode levar a criança lá para fora.

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