Júlia não tinha ideia do porquê Sérgio a estava chamando.
Mas, pela expressão de Éder, sabia que o clima não era dos melhores.
Assim que ela entrou, Sérgio e Clarice estavam sentados no sofá, enquanto Éder e Juliano permaneciam de pé nas laterais.
Parecia mesmo uma cena de interrogatório.
— O que aconteceu com o braço da Clarice? — Sérgio exibia um semblante de desgosto.
— O quê? — Júlia não processou a pergunta de imediato.
Ela cruzou o olhar com Clarice.
— Me desculpe, eu não devia ter contado ao Sérgio que você derramou chá em mim sem querer. — sussurrou Clarice, recostando-se de forma frágil na direção de Sérgio.
Então era sobre isso.
Sendo que foi Clarice quem tentou arrancar os documentos à força.
Ela apenas bloqueou por instinto.
— Eu não fiz de propósito. — Júlia negou de imediato.
— É verdade, Sérgio, a Júlia com certeza não fez de propósito. — disse Clarice puxando Sérgio com ar magoado.
Sérgio se considerava um bom juiz de caráter, sem contar que Júlia ultimamente vinha tendo "acidentes" demais.
Sem querer fez a avó mandá-lo para o hospital, sem querer derramou vinho e agora, sem querer, queimou alguém.
Como poderia haver tantas coincidências no mundo?
Ao ver a expressão de descrença no rosto de Sérgio, Júlia sentiu como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre sua cabeça.
Um frio percorreu todo o seu corpo.
— Eu mal conheço a Senhorita Cardoso, além de que ela é minha chefe. Que motivo eu teria para fingir que não foi de propósito ao queimá-la? — perguntou Júlia.
— Me desculpe, a culpa é minha por ter me aproximado tanto do Sérgio ultimamente. — Clarice disse em voz mansa.
Era uma insinuação velada de que Júlia, por ciúmes, a havia queimado de propósito.
— Vocês são apenas parceiros de negócios importantes, por que eu me irritaria? Ou será, Diretora Cardoso, que você fez algo para destruir a família de alguém? — Júlia sorriu com o olhar gélido.
O rosto de Clarice empalideceu e ela ficou sem palavras.
Sérgio não esperava que Júlia fizesse tal questionamento.
Ela nunca costumava levantar a voz; sempre tratara todos com gentileza e serenidade. Mesmo quando a Tia Beatriz ou a Tia Simone diziam algo constrangedor, ela apenas deixava passar com um sorriso.
Sérgio chegou a se sentir aliviado pela estabilidade emocional dela, por ser sempre tão dócil e compreensiva.
Mas agora ela estava sendo agressiva e implacável.
— Não faz m... — Clarice abriu um sorriso na mesma hora.
— Eu não deveria ter desviado quando você veio arrancar as coisas da minha mão, fazendo com que você caísse e se queimasse com a água. E também não deveria ter seguido sua ordem de vir à empresa hoje pegar os documentos.
Clarice congelou no lugar.
— Diretor Santana, se não houver mais nada, eu já vou indo. — Júlia respirou fundo.
Dito isso, virou-se e foi embora.
Deixando para trás apenas as costas eretas de uma figura que não se curvaria.
A entrevista financeira, somada às manobras que Clarice havia feito na conta de Júlia da última vez, fizeram as ações da Oceano subirem dois pontos.
Os números do balanço anual ficaram ótimos.
Todos os funcionários da Oceano sabiam que isso era mérito da futura esposa do presidente.
Clarice estava no auge e aproveitou a oportunidade para realizar um jantar de gala beneficente.
O banquete, graças à repercussão comercial da entrevista, atraiu muitos grandes nomes do mundo dos negócios, bem como estrelas famosas.
Quando Júlia recebeu o convite, ficou um tanto hesitante.
— Sua carreira acabou de recomeçar, esta é uma oportunidade rara. — aconselhou Patrícia Prado.

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