Sérgio fingiu desinteresse, mas seu dedo parou estrategicamente em cima da palavra 'reconciliação'.
Júlia apertou os lábios, encarando-o.
Na verdade, com a mão enfiada no bolso, Sérgio já acariciava o anel.
Ele só não tinha coragem de tirá-lo de lá.
Temia a rejeição de Júlia.
Por outro lado, também queria esperar até que a situação de Dora estivesse totalmente resolvida antes de discutir o futuro dos dois.
Júlia não sabia como reagir.
Por causa da história daquela casa, o coração dela doía por Sérgio.
Mas será que ela conseguiria realmente superar a barreira em seu próprio coração?
Ela não sabia.
Enquanto Júlia pensava em como expressar isso com delicadeza.
Sérgio foi quem recuou primeiro.
— Dá uma olhada, vê se isso vai causar algum impacto. Se precisar, podemos acionar o Departamento de Relações Públicas.
— Hum.
Júlia concordou com a cabeça.
Sérgio deu um sorriso leve.
— Ah, e você tem andado um pouco sedentária ultimamente... sua lombar.
Ele apontou para a própria cintura.
Mais cedo, quando havia pegado Júlia no colo, ouvira um nítido estalo.
Provavelmente por ficar muito tempo sentada sem fazer exercícios.
Júlia, no entanto, entendeu tudo errado e mordeu o lábio inferior.
— O que você está dizendo?!
A culpa não era dela.
Os internautas estavam dizendo coisas muito mais absurdas que aquilo.
— Papai, mamãe, quem vai me contar história hoje?
Dora surgiu segurando um livro infantil, parando exatamente entre os dois.
— Uni duni tê, salamê minguê, o escolhido foi... você.
— É a mamãe.
Júlia lançou um olhar para Sérgio, abaixando-se de propósito para pegar a filha no colo e erguê-la um pouco.
A intenção original era demonstrar que não havia problema algum com seu corpo.
Mas, para sua surpresa, ouviu-se outro estalo seco.
— Ai...
Ela soltou um leve gemido de dor, puxando o ar por entre os dentes.
A expressão de Sérgio mudou na hora.
— Você se machucou ensaiando hoje?
As sobrancelhas dele se juntaram num vinco profundo, feito uma grande minhoca.
Ele foi buscar a caixa de primeiros socorros com o rosto fechado.
Deu um tapinha afetuoso na filha.
— Vai para o quarto e espera um pouquinho, hoje o papai conta a história.
Dito isso, ele puxou Júlia para o quarto deles.

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