— A Sra. Júlia tem um homem em casa com quem não podemos nos meter, acho melhor deixar isso para lá.
— Que homem em casa, o quê.
O Diretor Wagner disse com desdém:
— Com o status da família Santana, que tipo de mulher eles não conseguiriam? Se fosse tão sério quanto espalham na internet, ele já a teria trancafiado em casa. Iria deixá-la sair para negociar negócios sozinha?
— No fim das contas, ela só se aproveita de um caso que tiveram no passado para criar polêmica de vez em quando e monetizar a fama.
— Eu conheço um monte de mulheres desse tipo.
A pessoa que tentava aconselhar o Diretor Wagner até sabia um pouco dos bastidores, mas, infelizmente, ele não queria acreditar.
Ele até deu uns tapinhas no peito do conselheiro.
— Fique tranquilo, ela é só uma mulher no segundo casamento, com uma filha, que adora fazer joguinhos de sedução.
— Se é o segundo casamento, então é melhor o senhor não...
— Melhor não, o quê? Você não entende o charme de uma mulher madura, hehe.
O Diretor Wagner deu uma risada abafada mostrando os dentes:
— Apenas observe.
Júlia fez um esforço enorme para conseguir entrar no carro.
Descobrir novos talentos e bons projetos era a coisa mais importante para a nova empresa.
Com o contrato fechado, ela pôde relaxar pelo menos metade de suas preocupações.
Quando o assistente da empresa de Júlia ligou, Sérgio já estava em pé perto da janela havia algum tempo.
Até mesmo Dora percebeu que o papai estava totalmente distraído naquele dia.
— Diretor Santana, o senhor poderia descer e buscar a nossa chefe? Ela bebeu demais.
— O quê?!
Sérgio foi se vestindo enquanto caminhava, sem nem se importar se as roupas combinavam ou não.
Ao chegar lá embaixo, ele realmente viu Júlia no banco de trás, dormindo abraçada a uma almofada.
— O que aconteceu? Quem estava no jantar de hoje que se atreveu a forçá-la a beber tanto?
Ao ver a expressão de Sérgio, o assistente deu um sorriso sem graça.
— É melhor o senhor perguntar diretamente à Diretora Guedes.
Isso só podia ser brincadeira.
Eles sabiam muito bem para quem trabalhavam.
Por mais poderoso que Sérgio fosse, ele não passava do Funcionário 001, trabalhando para a mesma chefe que eles, não é?
Não só Júlia reconhecia isso, mas o próprio Sérgio também.
Ele fuzilou seu "colega" com o olhar e revirou os olhos.
Sérgio soltou o cinto de segurança e deu tapinhas leves no rosto de Júlia:
— Querida, acorde, chegamos em casa.

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