— Pois é, nós nem conseguimos ter um encontro direito.
Victor disse: — Eu estou até com vontade de reclamar que você está muito concentrada no trabalho e me negligencia como namorado.
— Especialmente depois que Francisco recebeu alta do hospital. Eu me preocupei ainda mais, com medo de que você voltasse para ele. Ele mora tão perto, e quem chega primeiro bebe água limpa.
— Claro que não, eu já falei, as coisas entre ele e eu não têm futuro.
Daniela soltou uma risada e falou: — Se você tiver algum comentário para fazer, me diga, não precisa guardar. Eu andei te deixando de lado, não dediquei muito do meu tempo.
— Tudo bem, eu ainda consigo segurar. Eu te vejo todo dia, só isso me basta.
Ele passava um tempo com ela no café da manhã e ia buscá-la quando o trabalho terminava à noite. Eram as duas ocasiões nas quais jogavam conversa fora no meio do caminho.
Uma ida eventual ao cinema já contava como artigo de luxo.
— Daniela, a sua sopa é gostosa mesmo? O Francisco falou que você sempre cozinhava e fazia caldos para ele, preparando um monte de iguarias.
Desde que eles oficializaram o relacionamento, ele raramente provou os pratos preparados por ela.
O comentário de Victor soou enciumado.
Francisco havia provado daquela mordomia muito mais do que ele.
— Que nada. Só quando a gente namorava que eu fazia sopas para ele beber. Depois de casar, nunca mais preparei nada; Juliana que cozinhava, eu só ia levar para ele.
— Meus talentos não chegam aos pés do cozinheiro da sua casa. Mas se você não se importar com a simplicidade, um dia desses em que eu estiver desocupada, preparo umas receitas caseiras para você experimentar.
Era a Daniela da encarnação anterior quem tinha o hábito de servir sopas e lanches saborosos para Francisco.
Durante os três meses nos quais ele fazia investidas nela, ela havia cozinhado várias vezes para repor a saúde de Francisco.
Após o casamento, ela reviveu e não forçou mais nenhuma bajulação.


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