A Senhora Amaral também estava tão preocupada que não conseguia comer. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, era óbvio que ela havia chorado, e muito.
Ao ver Victor voltar, ela engasgou e disse: — Victor, sua irmã...
Victor se aproximou, segurou as mãos da mãe e a confortou: — Mãe, Patrícia vai ficar bem. Além daquela ligação pedindo cem milhões de resgate, os sequestradores ligaram de novo?
— Ligaram mais uma vez, disseram que sabiam que tínhamos chamado a polícia. Eles têm olhos que tudo veem e ouvidos que tudo ouvem? Como souberam que chamamos a polícia?
— Eu disse para não chamar a polícia. Eles só querem dinheiro, era só pagar e trazer a Patrícia de volta primeiro. Seu pai quis denunciar. Agora os sequestradores pararam de nos contatar e não sabemos como ela está.
— Os sequestradores nos xingaram por chamar a polícia. Disseram com uma voz sombria que não queríamos que a Patrícia vivesse, e então desligaram. Nós retornamos a ligação para o número deles, mas era de uma pequena loja. A pessoa do outro lado disse que alguém tinha pedido o telefone fixo emprestado.
— Nós checamos, os dois números de telefone fixo usados são do Distrito Leste. Agora a polícia, assim como Gustavo e Thiago, já foram para lá.
A Senhora Amaral chorou: — Se acontecer alguma coisa com a Patrícia, a culpa será do seu pai.
Quando os sequestradores ligaram pela segunda vez, a Senhora Amaral começou a chorar e brigou com o marido, dizendo que a atitude dele tinha prejudicado Patrícia.
Victor só podia consolar a mãe.
Daniela Nunes também ajudava a consolar a Senhora Amaral ao lado.
— Victor, o que você descobriu? Descobriu quem pegou a Patrícia?
Eduardo Amaral perguntou ao filho em tom grave.
Victor balançou a cabeça: — Ainda não há resultados.
— Eles com certeza são aqueles bandidos imperdoáveis. Ficam sem dinheiro e sequestram os filhos de famílias como a nossa para extorquir. Quando conseguem, gastam tudo por aí e, depois, miram nas crianças de outras pessoas.

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