Wilson estava trabalhando com uma pilha enorme de documentos.
Devido ao seu novo casamento, o pai dele não estava indo à empresa ultimamente, o que significava que o controle estava praticamente em suas mãos. No entanto, para assuntos de extrema importância, ainda precisava consultá-lo por telefone.
Mesmo ausente, o patriarca mantinha as rédeas do poder firmemente sob seu domínio.
No passado, seu pai lhe concedia uma autonomia considerável.
Porém, desde que o escândalo da traição de seu pai veio a público, seus poderes foram sendo sutilmente limitados.
Wilson não era tolo. Sabia muito bem o motivo dessa atitude: o pai temia que, caso ele assumisse o controle total, pudesse prejudicar a nova madrasta e seu filho.
Ao ouvir o som de uma porta se abrindo, Wilson olhou instintivamente para a entrada principal. Vendo que estava fechada, identificou os passos de Cíntia e virou a cabeça em direção à sala de descanso.
Ao ver Cíntia saindo de lá, Wilson ficou estupefato, e logo uma onda de pânico tomou conta dele.
Quando Cíntia havia chegado?
Será que ela ouviu o que ele disse a Marisa ou viu o que eles fizeram?
A mente de Wilson trabalhava a mil por hora, elaborando uma forma de lidar com Cíntia.
Ele pensou rápido: se Cíntia tivesse visto algo, ela não estaria tão calma. Com o temperamento dela, já teria avançado em Marisa e feito um escândalo, chorando e o acusando de traição.
Após pegar o recipiente, Wilson a abraçou pelos ombros e a conduziu até a mesa. Só depois que ela se sentou é que ele voltou para a sua cadeira.
— Só a minha esposa mesmo para cuidar de mim. Fazia tempo que não tomava uma sopa caseira. Por melhor que seja a comida dos restaurantes, nada supera o sabor da nossa casa. Prefiro muito mais a comida do nosso lar.
— O dia está quente, e o recipiente segurou bem a temperatura. Ainda está quente, não precisa esquentar — disse ele, após abri-lo e provar uma colherada do caldo.
— Então tome logo antes que esfrie — disse Cíntia com ternura. — Sempre que quiser, eu trarei para você. Quando não tiver compromissos, virei almoçar com você. Eu simplesmente não consigo comer em casa olhando para a cara daquela megera.
— A coisa que ela mais adora fazer na minha frente é exibir o romance dela com o seu pai. Chega a me dar náuseas. Nós somos um casal jovem e não ficamos nos exibindo daquele jeito. Ela faz isso só para me provocar.
— Tudo bem, mas quando for vir, me mande uma mensagem antes. Assim, eu te espero na empresa e você não perde a viagem — respondeu Wilson, embora, no fundo, não quisesse que ela viesse.

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