— A maioria dos homens não gosta de doces, mas não todos. É uma preferência pessoal, não há motivo para ficar sem graça — sorriu Daniela.
— Os doces da nossa loja têm as suas próprias características. O Senhor Gilson pode prová-los com calma.
— Então, por favor, me recomende alguns, Senhorita Nunes. Se eu gostar, virei aqui com frequência. Quando a minha empresa estiver funcionando, precisarei de um lanche da tarde todos os dias para os meus funcionários — disse Gilson.
— Eu poderia fechar uma parceria com a Senhorita Nunes para que forneça o lanche da tarde para a minha empresa.
As palavras de Gilson despertaram uma ideia nas duas. Era verdade, além de atenderem os clientes na loja, elas também poderiam fazer parcerias com empresas que ofereciam bons benefícios, fornecendo chás, doces e bebidas para o lanche da tarde dos funcionários.
— Agradeço a preferência, Senhor Gilson — respondeu Daniela com um sorriso discreto, sem se comprometer com uma futura parceria.
Quem sabia quando a empresa de Gilson realmente começaria a funcionar?
E, se abrisse, será que ele realmente faria negócio com elas?
Ela ainda não havia descoberto o verdadeiro histórico de Gilson. Quem garantiria se ele era uma boa pessoa ou não?
Fornecer alimentos para grandes empresas exigia muito cuidado, principalmente em relação à segurança alimentar. Se a outra parte tivesse más intenções, poderia facilmente colocar alguma substância na comida e incriminá-la.
Mesmo com a lei ao seu lado, investigar e provar a própria inocência levaria tempo.
Durante esse período, tanto ela quanto a sua loja poderiam ser prejudicadas, e os danos seriam incalculáveis.
Pensando nisso, Daniela rapidamente descartou a ideia de fazer parcerias com essas empresas.
O movimento da loja estava razoável. O faturamento mensal, após deduzir os custos e os salários, já gerava lucro. Ela não queria ser gananciosa e acabar arrumando problemas, especialmente agora que tinha rivais como Cíntia e Tassia.
Era como da última vez, quando Isabel Pinto tentou drogá-la na sua loja, mas quem acabou caindo na armadilha foi Francisco. Embora as câmeras de segurança tivessem provado que a culpa não era do estabelecimento e sim de um ato premeditado de Isabel, o movimento da loja ainda sofreu um impacto naqueles dias.
A casa e o carro haviam sido pagos à vista.
Ficava claro que o poder financeiro daquele homem não era pouca coisa.
Num banquete, ele dissera que pretendia investir na Cidade A, por isso aparecera sem ser convidado, apenas para fazer contatos com a elite empresarial local, sugerindo que poderiam fazer negócios juntos no futuro.
— Peço desculpas, foi um descuido meu.
Gilson desculpou-se.
— Entrem todos, sentem-se e tomem um café — ordenou ele, virando-se para a sua equipe de seguranças.
— Por favor, Senhorita Nunes, sirva uma xícara de café e alguns doces para os meus guarda-costas. Eles devem estar com fome depois de andarem para cima e para baixo comigo — pediu ele a Daniela.

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