— Se o Francisco realmente ousar atacar a Família Veloso, eu vou falar com ele. Mesmo que agora ele só pense em se casar com a Daniela, nós crescemos juntos. Duvido que ele ignore completamente o nosso passado.
A Senhora Veloso pensou consigo mesma: "E se ele realmente não se importar nem um pouco com o passado?"
Ela não ousaria apostar o futuro da Família Veloso nisso.
A reputação da sua filha Tassia já estava arruinada, mas, após passar alguns meses na prisão, ela poderia mandá-la para longe da Cidade A. Quando todos tivessem esquecido o escândalo, ela poderia voltar, encontrar um homem honesto para se casar e viver uma vida tranquila.
Se ofendessem Francisco por causa disso e arrastassem toda a Família Veloso para a ruína, perderiam absolutamente tudo.
— Cíntia, você vai para casa? Eu te dou uma carona.
A Senhora Veloso não prolongou o assunto e perguntou se Cíntia queria ir para casa.
— Me deixe no Grupo Vieira, por favor. Vou esperar o Wilson sair do trabalho para jantarmos juntos.
A Senhora Veloso assentiu. Lembrando-se do que a sua filha havia lhe contado, ela lançou alguns olhares para Cíntia, hesitando em falar.
Percebendo a atitude dela, Cíntia entendeu imediatamente do que se tratava e disse: — Senhora, houve um mal-entendido entre mim e o Wilson. Ele não me traiu de verdade. Naquela noite, eu entendi tudo errado.
— Que bom que o mal-entendido foi esclarecido. Eu bem que disse! O Wilson e você são amigos de infância, o relacionamento de vocês é tão forte. Como ele poderia te trair? Às vezes, você precisa confiar no seu próprio julgamento e não se deixar influenciar pelas mentiras dos outros.
— Em um casamento, é preciso haver confiança e compreensão mútua para que a relação dure.
— Eu sei, senhora.
A Senhora Veloso não disse mais nada. Ela levou Cíntia até o Grupo Vieira e, assim que ela desceu, deu meia-volta com o carro e partiu.
Cíntia entrou no prédio da empresa e, ao olhar para trás e confirmar que a Senhora Veloso havia ido embora, a sua expressão escureceu.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Cíntia com a expressão fechada.
Mesmo sabendo que estava apenas usando Júlia, ver a frequência com que ela aparecia ali a deixava com um gosto amargo na boca.
Júlia ergueu a marmita térmica e disse com uma voz melosa: — Eu trouxe uma sopa revigorante para o Wilson esta manhã. Foi a minha irmã quem preparou. Era para o meu cunhado recuperar as energias, mas como o Wilson trabalha tanto e vive cansado, resolvi trazer um pouco para ele também.
Cíntia retrucou friamente: — Júlia, o Wilson é o meu marido. Da saúde dele cuido eu. Não precisa se incomodar.
— Você é você, eu sou eu. A minha preocupação com o Wilson não custa um centavo do seu bolso. Não se meta.
Cíntia ficou furiosa.
Júlia se afastou rebolando em seus saltos altos. Ao passar por Cíntia, ela parou novamente, inclinou-se em sua direção e sussurrou: — Cíntia, só para te avisar uma coisinha: a minha irmã não acha seguro eu morar sozinha, então ela me pediu para me mudar para a mansão da Família Vieira.

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