Franklin olhou para o banco de trás do carro.
De fato, havia um buquê de flores e uma caixa de frutas finas e bem arrumadas.
Ficou claro que Gildo já tinha se preparado desde cedo para ir junto com ele.
Afinal, os itens preparados por ele demonstravam, à primeira vista, um cuidado especial na seleção.
Franklin fez uma brincadeira: “Você não disse que, se Zenobia dissesse que não queria ver você, você não iria?”
Gildo levantou o olhar, demonstrando insatisfação com o jeito insistente e cheio de perguntas de Franklin: “Se ela não quiser me ver, então não vejo. Estou sem compromisso, por isso vou te acompanhar.”
Que “sem compromisso” bem conveniente.
Franklin preferiu nem desmenti-lo.
O presidente do Grupo Paixão, livre em pleno dia útil.
Quem acreditaria nisso?
No hospital.
Daiane terminou de se arrumar às pressas e se preparou para sair para o trabalho.
Morar no hospital até que estava sendo bom, pois ficava perto da empresa, assim ela podia dormir mais meia hora. Às vezes, até pensava que seria ótimo se Zenobia ficasse ali por mais tempo.
Daiane pegou a bolsa, despediu-se de Zenobia e, ao abrir a porta, viu Franklin parado do lado de fora com um buquê de flores nas mãos, pronto para bater à porta.
Daiane franziu as sobrancelhas: “Veio me procurar até aqui? Sr. Sampaio, que gentileza, mas hoje estou sem tempo.”
Franklin riu diante da confiança e franqueza de Daiane: “Eu sei que você não tem tempo hoje. Posso te procurar outro dia. Hoje, vim visitar Zenobia.”
Ao ouvir o barulho na porta, Zenobia espiou e, ao ver que era Franklin, ficou um tanto surpresa.
Daiane ficou aborrecida e pensou em passar direto sem cumprimentá-lo.
Mas, no mundo dos adultos, prevalecia a aparência.
Daiane forçou um sorriso e cumprimentou rapidamente: “Sr. Paixão? O que faz por aqui?”
Gildo, ao ser chamado, se mostrou um pouco surpreso; parecia não querer ser visto ali.
Quando levantou o olhar e viu que era Daiane, tentou disfarçar: “Tenho um cliente aqui por perto. Estou esperando por ele.”
O sorriso de Daiane ficou ainda mais forçado e o tom dela ganhou um leve sarcasmo: “Nossa, nunca ouvi falar de alguém que faça o Sr. Paixão esperar. A gente vive e aprende mesmo.”
Depois de uma pausa, Daiane continuou: “Então, Sr. Paixão, fique à vontade esperando. Vou trabalhar. Ah, e se o senhor ainda se lembra de que sua esposa também está internada neste hospital, acho que não faria mal aproveitar o tempo para ver como ela está.”
Assim que terminou de falar, saiu andando, deixando Gildo sozinho sob o ipê despido, completamente isolado.

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