Gildo ergueu os olhos, franzindo as sobrancelhas.
Estava um pouco irritado com a provocação, mas não disse nada. Apenas fez um gesto de silêncio e apontou para Zenobia, que estava dormindo.
Franklin, percebendo a deixa, calou-se e sussurrou para Daiane.
— Ela parece estar bem agora. Podemos ir.
Daiane finalmente se sentiu aliviada.
Depois de dizer para Gildo cuidar bem de Zenobia, ela e Franklin foram embora.
Zenobia dormiu por várias horas.
O colapso emocional somado a horas de caminhada a deixaram completamente exausta.
Quando acordou, as luzes vibrantes de Rio Dourado já estavam acesas.
A torre Pérola de Rio Dourado, do outro lado, brilhava com um esplendor nobre.
Ela olhou ao redor e não viu Gildo no escritório do presidente, que estava na penumbra.
Até que a porta se abriu.
Contra a luz, a silhueta de Gildo era muito bonita.
Zenobia pigarreou.
— Acho que dormi por muito tempo...
Gildo tinha acabado de se encontrar com um cliente importante na sala de reuniões. Preocupado que ela pudesse acordar a qualquer momento, ele deixou o resto dos assuntos com seu assistente e voltou correndo.
Ele se aproximou, e o aroma de sândalo tornou-se ainda mais agradável no ambiente aquecido.
— Não dormiu tanto assim, apenas algumas horas. Como está? Seus pés doem? Seus olhos estão inchados.
Zenobia olhou para baixo e viu que Gildo havia tirado seus sapatos. Ela usava meias com ursinhos, que pareciam completamente fora de lugar naquela situação.
Instintivamente, ela encolheu os pés.
Seu gesto involuntário fez Gildo sorrir.
Ele não sabia se era porque a amava que a achava adorável, ou se ela era simplesmente adorável.
— Quando você quiser me contar, você vai contar. Se não quiser, eu não pergunto.
Zenobia sentiu-se subitamente comovida. Ela respirou fundo e disse lentamente.
— Eu estraguei algumas coisas na galeria. Fico pensando se eu só consigo administrar a Jasmine com a sua ajuda. Talvez eu nunca devesse ter dado este passo.
Ver o rosto de Zenobia cheio de angústia e conflito fez Gildo hesitar.
A família Paixão deu a galeria a Zenobia na esperança de que ela pudesse fazer o que amava.
Mas agora, parecia que ela não estava fazendo o que amava.
As palavras de Aureliano eram como um espinho fino e macio, preso na garganta de Zenobia, que ela não conseguia engolir nem cuspir.
Ele a picava suavemente, fazendo até mesmo sua respiração ficar irregular.
O coração de Gildo, por sua vez, não se sentia como se estivesse sendo apertado com força?
Ele não suportava ver Zenobia sofrer. Um simples franzir de testa dela já era suficiente para causar um turbilhão em seu coração.

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