— Volte de táxi sozinha!
Guilherme Serra encarava os olhos dela com uma calma quase fria.
Era completamente diferente do olhar que lançava para Melissa Garcia.
Embora já esperasse por isso, o peito de Jéssica Nascimento ainda doeu, mesmo que involuntariamente.
Ela se virou de repente, mas seu braço foi segurado por trás por Guilherme Serra.
A força dele era maior do que Jéssica imaginava, apertando seu braço com certa intensidade.
Talvez ao perceber a resistência dela, Guilherme afrouxou um pouco o aperto.
— Só quero te lembrar de não ser tão dura com a Melissa por ciúmes. Ela nunca vai conseguir tomar o seu lugar como Sra. Serra.
Assim que terminou, Guilherme entrou no carro, deixando Jéssica de boca aberta, mas sem sentido algum para explicações.
Antes de partir, ele abaixou o vidro da janela e Jéssica viu quando Guilherme inclinou levemente a cabeça para fora.
— Ah, e não volte para o Jardins de Brisa. Hoje à noite, não vou aparecer por lá.
O aviso proposital de Guilherme fez Jéssica soltar uma risada amarga.
O Jardins de Brisa era o condomínio onde ficava o apartamento de casados dos dois.
— Eu não pretendia voltar para lá mesmo.
Jéssica pensou em aproveitar a oportunidade para pedir novamente o divórcio. Antes, não o fez porque Melissa Garcia estava no carro e ela não queria dar esse gostinho à rival. Agora, parecia o momento certo e não queria desperdiçá-lo.
No entanto, como se já soubesse o que ela estava prestes a dizer, Guilherme se adiantou e a cortou:
— Não vou me divorciar. Esqueça isso de uma vez por todas!
O carro de luxo desapareceu na estrada, deixando apenas o silêncio no ar.
Jéssica caminhou pela avenida o máximo que pôde, mas conseguir um táxi naquela hora não era fácil. Ela tentou chamar por aplicativo, mas ninguém aceitava a corrida.
Nesse momento, um Passat preto parou à sua frente.
— Srta. Nascimento...
Dessa vez, Guilherme Serra não apareceu para atrapalhar, e Jéssica respirou aliviada.
Seu cargo era de orientadora psicológica de adolescentes, um trabalho voluntário, sem remuneração.
Mas dinheiro não era um problema para ela.
O processo foi mais simples do que esperava. O diretor fez questão de acompanhá-la, mostrando as instalações e explicando o funcionamento do lugar.
Jéssica não contou a ele, mas já era bem familiarizada com aquele espaço. Na infância, ela própria passara um tempo ali.
Comparado a dez anos atrás, pouca coisa mudou na estrutura, embora estivesse claramente reformado. O ambiente parecia renovado, transmitindo uma sensação diferente.
Jéssica achou melhor assim; se estivesse tudo igual, talvez se sentisse ainda mais mexida.
Afinal, foi ali que começou seu sentimento por Guilherme Serra.
Só que, presa a esse amor juvenil, apenas ela permaneceu. Guilherme há muito deixara isso para trás.
— Se restar qualquer dúvida, pode me procurar a qualquer momento... Sra. Jéssica?

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