Naquelas noites longas, ela tinha se afogado repetidas vezes nas profundezas dos olhos dele.
Quando a paixão queimava mais intensa, ele se inclinava, sussurrando o nome dela sem parar... Selvagem, terno, imprudente.
Um laço que cortava fundo, direto no osso.
“Axel, está esperando há muito tempo?”
A voz veio de trás... Era Rhea.
Kylie voltou à realidade num instante.
O que ela estava pensando? Que Axel tinha vindo buscá-la?
Por sorte, o carro dela chegou exatamente naquele momento. Ela correu até ele, escapando o mais rápido que conseguiu.
No caminho para casa, baixou o vidro, deixando o ar da noite bater no rosto.
O motorista ficava olhando para ela pelo retrovisor.
“Bebi demais. Tentando ficar sóbria”, disse Kylie, com leveza.
A verdade era que ela mal tinha bebido.
“Só não vomita”, resmungou o motorista. “Isso vai te custar caro.”
Kylie encarou o homem, sem palavras.
Quase sem perceber, a mão dela tocou a própria bochecha.
Ela realmente parecia tão de coração partido assim?
O estômago dela andava estranho ultimamente, então, antes de ir para casa, parou numa pequena lanchonete perto do apartamento. Pediu uma tigela de ravióli fumegante e comeu devagar, esperando que o calor acalmasse seus nervos.
Mas no momento em que abriu a porta do apartamento, congelou.
Alguém estava sentado na sala.
Axel.
Por um segundo, ela não conseguiu se mexer.
Ele não deveria estar passando a noite com Rhea?
O que ele estava fazendo ali, no pequeno apartamento dela, mal iluminado?
O olhar de Kylie foi direto para a fechadura eletrônica, e ela suspirou por dentro.
Claro. Ela tinha esquecido de mudar o código.
Naquela época, tinha sido ela quem, ansiosa, tinha dado a senha a ele.
E ele ainda lembrava.
Impressionante, na verdade, considerando que quase nunca vinha ali.
Talvez números simplesmente ficassem na cabeça dele; afinal, ele trabalhava com finanças.
Kylie demorou para trocar os sapatos, a mente a mil.
Desde o dia em que percebeu que havia outra mulher no coração dele, aquela era a primeira vez que ficavam sozinhos.
Ele tinha vindo terminar tudo?
Talvez fosse isso.
E talvez já estivesse na hora.
Sete anos mereciam um episódio final.
Um fim limpo era melhor do que nenhum.
Ela se movia devagar, longe da eficiência de sempre.
O que mais a atingiu foi que Axel não a apressou.
Ele apenas observava.
A luz acima desenhava a linha dura da sobrancelha dele, deixando os olhos meio na sombra, ilegíveis.
“Quer beber alguma coisa?”, perguntou Kylie, em voz baixa, depois de trocar os sapatos.
Ela sabia o que vinha a seguir. Não tinha como evitar.
“Não.”
Então ela se serviu de um copo de água.
Um pouco tarde para se preocupar, não?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista