Entrar Via

Antes uma tola por amor, agora protagonista romance Capítulo 74

Arthur ficou sem graça, sem saber como continuar a conversa.

Ele era o típico nerd da tecnologia, ótimo com máquinas, péssimo com pessoas. Principalmente com mulheres.

Melinda sabia disso. Vivia tentando ensinar o irmão a conversar com garotas, dando todo tipo de dica.

Mesmo assim, ele nunca sabia como colocar nada disso em prática.

Então, quando abriu a boca, o que deveria ser um flerte virou conversa de trabalho. “E aí, como foi hoje?”, perguntou.

“Nada mal, ainda tenho mais duas empresas para visitar hoje à tarde”, Kylie respondeu de forma leve.

Arthur notou o calcanhar dela. A pele estava machucada, irritada pelo atrito do salto alto.

Sem dizer nada, apertou o botão de chamada e pediu à enfermeira um remédio para tratar o ferimento.

Kylie pensou que fosse algo com ele. “O que aconteceu?”, perguntou, preocupada.

Arthur entregou o remédio a ela. “Cuida desse machucado no calcanhar.”

Kylie olhou para baixo. Ela nem tinha notado, sua cabeça estava o tempo todo no projeto.

“Precisa mesmo usar esse tipo de sapato? Não dá para escolher algo mais confortável?”, Arthur perguntou.

“Uma boa imagem ajuda a criar confiança com os clientes, passa uma imagem mais profissional”, ela explicou.

“Ah, agora faz sentido.”

A verdade era que, nas últimas semanas, vários investidores tinham procurado Arthur, mas ele recusou todos.

Depois de ver o quanto Kylie estava se esforçando, começou a se perguntar se aquilo tinha sido um erro.

Assim que ela saiu, Arthur se sentou e começou a fazer ligações, uma atrás da outra.

Os investidores ainda tinham interesse no projeto. Mas, assim que descobriam que ele já tinha uma investidora, recuavam com desculpas educadas.

Nesse tipo de negócio, entrar depois significava participação menor e risco maior.

A menos que um grande grupo entrasse na rodada seguinte, ninguém queria seguir.

Era exatamente por isso que Kylie continuava batendo em portas fechadas. A realidade podia ser dura, mas a mentalidade dela continuava firme.

Anos conduzindo projetos tinham treinado ela para lidar com pressão melhor do que a maioria.

No começo, foi Axel quem ensinou tudo a ela, embora o método dele estivesse longe de ser gentil.

Ele era exigente, rigoroso e nunca adoçava críticas.

Se ela errasse, ele apontava na hora. Sem desculpas, e sem segundas chances.

Mas sob esse tipo de pressão, Kylie cresceu rápido. As habilidades se afiaram, e a resistência veio junto.

Então, mesmo com tudo o que tinha acontecido, aquela situação não era nada que ela não pudesse enfrentar. Já tinha passado por coisa pior.

Naquela época, ela realmente acreditava que Axel a pressionava para ajudá-la a crescer. Que estava preparando-a para liderar projetos sozinha.

Mas agora, vendo como ele tratava Rhea com tanta delicadeza, percebeu que tinha se enganado.

Aquilo não era treinamento.

Axel também está aqui?

Então Rhea deve estar com ele.

Mas Elmer bloqueou seu caminho novamente, jogando mais provocações só para cutucar.

“Kylie, por que não percebe? Faz ideia do quanto Axel se empenhou para conquistar a Rhea? Um ano atrás, quando ela e Zander passaram por um momento difícil, ele pegou um avião na hora para vê-la. Durante esse último ano, viveu indo e voltando por causa dela. Agora que finalmente se acertaram, não pode simplesmente sair da vida dele?”

Kylie se virou e respondeu, sem emoção: “Então faça um favor e mande os dois para bem longe. Que fiquem lá, tranquilos e satisfeitos. Ele pode ficar com quem quiser. E quando morrerem, vão permanecer juntos para sempre.”

Elmer ficou paralisado. Ele nunca tinha visto Kylie ser tão direta e cruel, a ponto de deixá-lo sem respostas.

Quando se deu conta, ela já tinha ido embora.

Furioso, ele chutou um vaso de flores, o barulho ecoou pelo saguão.

Ao voltar para a sala reservada, seu rosto ainda estava carregado.

“Dr*ga! Que dia de merda!”, Elmer nunca foi do tipo que escondia o que sentia.

Rhea perguntou. “O que aconteceu? Quem te irritou?”

Doido para desabafar, Elmer disse tudo: “Dei de cara com uma coisa imunda lá fora.”

“Esse clube acabou de ser inaugurado, que tipo de coisa imunda poderia encontrar aqui?”, Rhea franziu a testa.

Eles estavam todos ali para apoiar Elmer naquela noite.

O clube era seu novo investimento. Ele tinha entrado no negócio com outros jovens ricos.

Não chegava a ser tão sofisticado quanto o Clube Westview, mas chegava bem perto.

Afinal, dinheiro não faltava para nenhum deles.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista