João Cavalcanti ouviu aquilo e olhou de soslaio para Clara Rocha, com um leve sorriso.
— Os assuntos do patriarca envolvem muita coisa. Naquela época, realmente não era apropriado realizar um casamento. Seguir o conselho do senhor e adiar não é nenhum problema.
Sérgio Alves olhou para ele.
— Achei que você teria alguma objeção em adiar o noivado.
Ele respondeu:
— O senhor está brincando. Não sou um homem apressado.
Clara Rocha apressou-se em baixar a cabeça e tomar a sopa. Como ele tinha a coragem de dizer aquilo!
Isaque Alves largou a tigela e os hashis, fazendo um barulho nem muito alto, nem muito baixo.
— Já estou satisfeito.
Ele se levantou e saiu da mesa.
Clara Rocha olhou para as costas dele subindo as escadas, com o rosto transparecendo preocupação.
Sérgio Alves notou e disse:
— Não se preocupe com o seu irmão. Afinal, não faz muito tempo que ele passou por aquele incidente. Sempre leva um tempo para superar.
João Cavalcanti colocou um camarão descascado na tigela dela e acrescentou:
— Seu irmão é um homem racional. Eu também acredito que não vai demorar muito para ele dar a volta por cima. O que precisamos fazer agora não é aconselhá-lo, e sim acompanhá-lo durante o tempo que ele precisar para se curar.
A expressão de Clara Rocha relaxou um pouco.
Era verdade. Mesmo que fosse consolar o irmão agora, com o temperamento dele, Isaque apenas fingiria estar bem para tranquilizá-la, enquanto esconderia seus verdadeiros sentimentos e pensamentos.
— Só nos resta fazer isso. — Clara Rocha curvou levemente os lábios.
João desviou o olhar para Sérgio Alves.
— O senhor tem estado muito ocupado nos últimos dias com o processo do patriarca. Temo que já não tenha tanta energia para lidar com os assuntos de casa. Como eu estou livre esses dias, se o senhor precisar de qualquer ajuda, é só falar.
— Já que você está se oferecendo, não vou fazer cerimônia. — Sérgio Alves acenou com a mão. — Acontece que estarei fora de casa por uns dias. Vou deixar minha filha e meu filho aos seus cuidados.
João Cavalcanti deu um sorriso discreto.
— Será uma honra.
— Embora eu esteja deixando você ficar... — Sérgio Alves tossiu de leve. — Tentem se controlar um pouco.
Clara Rocha engasgou, levantando a cabeça com uma expressão constrangida.
— Pai, o que o senhor está pensando?
— Ah, a juventude é tão boa. — Sérgio Alves suspirou para si mesmo, arrumou a mesa e se levantou para sair.
Clara Rocha instintivamente levou a mão ao pescoço.
Será que o pai tinha descoberto algo? Mas ela não tinha visto nenhuma marca quando saiu de casa!
Ao ver o gesto dela, João Cavalcanti não conseguiu segurar o riso.
— Fique tranquila. Para encontrar os mais velhos, eu não deixaria marcas em lugares visíveis.
Ela o avaliou dos pés à cabeça.
— Por que a atitude do meu pai em relação a você mudou tanto?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...