— Não.
A resposta de Dália pegou todos de surpresa.
Ao ouvir aquela negação, Lincoln sentiu um leve alívio no peito.
Se Dália tivesse rompido o noivado apenas porque encontrou uma opção melhor, o orgulho dele ficaria profundamente ferido.
Mas se ela não havia feito isso por causa de outro homem, e sim por obrigação das circunstâncias, então ele ainda detinha a posição de superioridade.
Afinal, ela nem era mais a verdadeira filha dos Campos; como poderia almejar um partido superior à família Salazar?
Aquele homem ao lado dela claramente não era do tipo que Dália conseguisse controlar.
Se ele estava disposto a embarcar naquele teatrinho, o que será que ela tinha oferecido em troca?
O olhar de Lincoln recaiu sobre a silhueta de Dália.
Ela já era maior de idade, dona de um corpo escultural e um rosto deslumbrante. Uma garota nessas condições, o que mais teria a oferecer além do próprio corpo?
Lincoln não pôde evitar lembrar dos boatos recentes de que Dália estaria se vendendo por dinheiro.
Um desconforto repentino tomou conta dele, como se estivesse levando chifre em praça pública.
O cancelamento do noivado nem sequer era oficial ainda, e ela já estava se envolvendo com outros!
Aquela mulher realmente não merecia um pingo de pena!
— Eu abri mão de Lincoln Salazar porque aquele noivado, desde o princípio, nunca foi meu. Sempre pertenceu à Keila Campos.
— Logo, não se trata de abrir mão daquilo que eu sequer cheguei a possuir.
— Lincoln e eu fomos forçados a ficar juntos por causa de um acordo equivocado.
— Como eu nunca gostei dele, essa obrigação só me trazia dores de cabeça!
— E sobre gostar deste homem aqui... não seria por causa do dinheiro dele, mas, convenhamos, olha a beleza desse rosto. Não é motivo suficiente?
Dália apontou graciosamente para Lázaro Serra.
Os demais não resistiram e voltaram a admirar as feições de Lázaro.
Lázaro detestava ser encarado daquela forma, mas manteve o semblante impassível.
Já que havia concordado em ser o ator daquela farsa, levaria o papel a sério até o fim.
O coração de Lázaro deu um salto imperceptível ao ouvir aquilo.
O público presente, quase por instinto, começou a comparar Iran e Lázaro.
E, para ser sincero, não havia a menor chance de comparação. Fosse na beleza, na elegância ou na imponência da aura, eles estavam em ligas completamente diferentes!
— Ele é...
Bárbara nem conseguiu terminar a frase antes de ser interrompida por Dália: — Não minta. Coloque a mão na consciência. E se não tiver consciência, coloque a mão no peito e seja sincera!
Muitas pessoas caíram na gargalhada com o comentário afiado.
Bárbara ficou vermelha, sem saber se recuava ou avançava: — Quem disse que eu não tenho consciência? O Iran apenas não desenvolveu todo o seu potencial ainda. Ele é jovem! No futuro, com certeza não ficará atrás desse seu homem.
— Ah, corta essa. Até o Iran atingir o seu 'potencial', eu já terei escolhido alguém ainda melhor.
— Quando o assunto é bom gosto, você perde feio para mim.
A plateia estremeceu de incredulidade.
Dália, olha bem pro homem que está do seu lado antes de dizer que vai achar alguém melhor no futuro.

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