— Lu... Senhor Serra? O que faz por aqui?
A vaidade de Keila a fez ponderar: seria possível que Lázaro também tivesse vindo ali para vê-la?
Só a ideia de ter dois pretendentes disputando sua atenção já a fazia levitar de emoção.
Contudo, seu devaneio desmoronou no exato momento em que notou os dedos de Dália firmemente enroscados no braço de Lázaro.
— Dália, por que você está agarrada ao braço do Senhor Serra?
Dada a sua imaturidade, Keila não conseguia disfarçar seu ciúme e sua expressão amargurada.
Dália soltou uma risadinha provocativa: — Ah, é porque o meu irmãozão veio me buscar.
Aquele 'irmãozão' foi carregado de tanta doçura que poderia dar cárie em qualquer um.
Adilson estava explodindo de ciúmes por dentro; Dália nunca o havia chamado com tanto afeto!
Lincoln cerrou os maxilares. Sentia a sombra dos chifres pesando em sua testa.
Keila apertou os punhos de indignação. O que aquilo significava? Por que ela o chamava de Lazinho?
Com que direito ela tinha essa intimidade toda?
Apenas Lázaro mantinha a fachada inabalável.
Porém, sua mente foi invadida por uma lembrança incontrolável.
A imagem de Dália debaixo dele, com os braços em volta do seu pescoço, sussurrando "irmãozão" num tom doce e provocante, invadiu sua mente.
Com o som daquela voz ecoando em seus pensamentos, Lázaro sentiu o coração palpitar por uma breve fração de segundo.
— Por que você o chama de 'irmãozão', Dália? — Keila não conseguiu segurar a língua.
Tinha acontecido algo que ela desconhecia?
— Considerando a profunda amizade entre a vovó e o Vovô Serra, nossas famílias são amigas de longa data. Qual o problema de chamá-lo assim?
— Você também não chama o Lincoln pelo primeiro nome?
A intenção de Dália era apenas justificar que, sendo Lázaro mais velho e havendo essa proximidade, tratá-lo assim era perfeitamente natural.
No entanto, para os ouvidos inseguros de Keila, aquilo soava como pura exibição.
Dália estava esfregando na cara dela a proximidade que tinha com Lázaro.
— Aonde vocês vão? — disparou Keila.
O tom da garota soou quase como um interrogatório.
Mas quem Keila achava que era para exigir respostas?
Dália perdeu a paciência de manter o verniz social: — Acredito que não precisamos da sua autorização para ir a lugar nenhum, certo?
No mesmo instante, Keila assumiu uma postura de vítima: — Eu só estou preocupada com você, Dália. A esta hora da noite, vocês dois sozinhos... se alguém ver, isso pode manchar a sua reputação.
— Como já andam dizendo pela escola que você arranjou um homem rico para te bancar... Ai, me perdoe, eu não devia ter mencionado isso — Keila levou as mãos à boca num ato exagerado, fingindo arrependimento diante da garota.
Como se aquele deslize fosse um terrível acidente inocente.
Dália a fuzilou com um sorriso cínico: — Tão jovem, mas com a mente tão podre e calculista.
— De onde você acha que vieram esses boatos na escola? Se você não sabe, tenho certeza de que essa sua amiguinha aí do lado sabe muito bem.
O olhar penetrante de Dália cravou-se diretamente em Thalita Novaes.
Thalita sobressaltou-se, apavorada por ser arrastada para o meio daquele furacão de repente.

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