Dália Campos olhou para ele, surpresa.
Aquele cara nunca dizia uma palavra. Ela chegou a pensar que ele sequer a queria por perto em seu mundo.
Sobre o que havia acontecido antes, Dália Campos nem tinha perguntado se haveria desdobramentos.
Provavelmente, mesmo que houvesse, não a envolveriam.
Não é que ela confiasse nos inimigos, mas confiava em Lázaro Serra.
— Certo.
Dália Campos concordou.
O avô Serra finalmente abriu um sorriso: — Assim que se fala.
O tempo no jato particular pareceu passar voando, talvez por não precisarem ficar apenas sentados no tédio.
Quando a aeronave pousou e todos chegaram a salvo ao aeroporto, Dália Campos sequer precisou carregar sua própria bagagem; os seguranças cuidaram disso.
Claro, as outras pessoas carregavam suas próprias malas. Eles não podiam abusar da boa vontade alheia, certo?
A família era composta apenas pelo avô e pelo neto ali, mas viajavam com muitos seguranças, o que indicava que costumavam lidar com perigos ao seu redor.
Por isso, os outros tentaram causar o mínimo de incômodo possível.
Assim que Dália Campos saiu do avião, separou-se do idoso e de Lázaro.
O Professor Fontes avisou que o veículo da escola já estava a caminho e que precisavam apenas esperar.
Dália Campos decidiu seguir com o resto do grupo.
Dessa vez, o idoso não tentou insistir.
Por mais incrível que a garota fosse, ela precisava se integrar aos colegas.
Do outro lado, alguém notou o rosto de Dália Campos e não conseguiu resistir, tirando várias fotos seguidas com o celular.
Ele enviou as imagens para um pequeno grupo de mensagens que tinha apenas com os outros dois irmãos.
— Kelton, Antonio, olhem isso. Que pai andou pulando a cerca?
O que ele queria dizer com aquilo?
Os dois irmãos mais velhos visualizaram as mensagens. Ao verem a foto, o grupo caiu em um silêncio profundo.
— Ela... se parece muito com alguém — respondeu Kelton.
— Esse nariz é a cara do nosso pai — acrescentou Antonio.
— E os olhos, lembram quem? — perguntou Samuca, o caçula.
Para ser honesto, Samuca achava a tia um pouco cruel. Tudo isso só porque não queria se casar com o homem arranjado pelo avô e decidiu fugir com outro?
Depois de todos esses anos fora, será que ela não sentia nem um pingo de saudades de casa?
— Vovô, olha só! Hoje eu fotografei uma garota no aeroporto. Ela tem uns dezoito ou dezenove anos, mas é a cara da nossa família!
O idoso lançou um olhar repreensivo ao neto: — Samuca, não invente moda. Você já passou dos vinte anos, não vá arranjar problemas com garotas tão novas.
— Os homens da nossa família não têm esse tipo de comportamento.
Samuca assentiu prontamente, como um soldado recebendo ordens.
— Eu não estou mentindo, Vovô! Só tirei a foto porque ela me pareceu muito familiar. Vai ver foi algum erro que o meu pai ou o meu tio cometeram na juventude.
— Se o seu pai ouvir você falar isso, vai te dar uma surra daquelas... — resmungou o avô, pegando o celular.
De repente, ele quase saltou da poltrona.
— Vá logo! Pegue meus óculos de leitura!
— Vovô, o senhor conhece essa garota? — Samuca franziu a testa, imaginando se ela seria, na verdade, uma filha perdida do próprio avô.
"Meu Deus, uma tia de dezoito anos?!"
Que bomba! Ele deveria contar primeiro para a tia e a mãe, ou direto para os irmãos?

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