Dália Campos olhou para Adilson Campos como se estivesse diante de um completo idiota:— Fui eu quem roubou?
— Vocês esqueceram que esse travesseiro faz parte do enxoval da nossa avó? Ela pode dar para quem ela quiser.
Dália usou a Dona Campos como escudo, deixando Adilson sem palavras.
A Dona Campos finalmente se pronunciou:— Exatamente, o travesseiro é meu, e eu o dei para a minha neta biológica.
— Já que Keila Campos não é do meu sangue, a peça de madeira de agar pertence apenas a Dália Campos.
O corpo de Keila vacilou por um instante, ela não esperava que a avó dissesse palavras tão implacáveis.
— Desculpa, vovó. Eu só queria guardar o travesseiro como uma lembrança, não estava de olho no valor dele.
A Dona Campos lançou um olhar profundo para Keila:
— A tigela de arroz que você usou também te acompanhou por mais de dez anos. Se você quiser, pode levá-la como lembrança.
Keila forçou um sorriso amarelo:— Não precisa, obrigada, vovó. Venho visitá-la em uma próxima vez.
Ela não conseguia ficar ali nem mais um segundo.
E quem também não suportava mais ficar ali era Jamile Lima.
A mãe e os dois filhos foram embora apressados.
Os lábios de Dália se curvaram em um sorriso discreto. Como assim ela não queria a tigela que usou por mais de dez anos?
Como um drama tão forçado poderia enganar os olhos atentos da velha senhora?
Lázaro Serra não estava entendendo muito bem a dinâmica daquela família.
A Dona Campos teve a gentileza de explicar:
— As duas meninas foram trocadas na maternidade, e hoje foi o dia em que se reencontraram com as famílias. Desculpe-me por fazer você presenciar essa confusão.
— Entendo. — Lázaro não era do tipo que gostava de fofocas.
Ele apenas ouvia o que as pessoas estavam dispostas a compartilhar.
— Se não fosse por esse acontecimento, eu provavelmente não teria conseguido comprar a peça, não é?
Ele tinha certeza absoluta de que, se as crianças não tivessem sido trocadas, a Dona Campos jamais teria concordado em vender um item do seu próprio enxoval.
— Eu não sabia o que era isso. — Keila explicou em voz baixa. — Eu só achava o travesseiro confortável e com um cheiro bom que me relaxava, por isso queria levá-lo.
Jamile engoliu em seco. Era verdade. Keila queria levar a peça, a avó não tinha impedido, foi ela mesma quem havia desdenhado do objeto!
— Mãe, não jogue sal na ferida da Keila. — Adilson também estava frustrado.
Ele odiava a ideia de Dália ter conseguido aqueles vinte milhões, ele preferia vê-la sem nenhum centavo.
Jamile franziu a testa:— Que jogar sal na ferida o quê? Eu mal disse alguma coisa.
— É o que dá crescer no interior, nem sequer consegue reconhecer uma relíquia dessas. Não é como a Dália, que cresceu ao nosso lado e tem uma visão de mundo mais ampla.
Ao ouvir isso, Keila apertou os lábios em silêncio, mas seu olhar revelava uma forte teimosia.
Ela definitivamente não queria perder para Dália, mas a educação que as duas haviam recebido desde a infância era completamente diferente.
O que ela poderia fazer?
E também tinha Lázaro Serra... Aquele homem era o mais distinto que ela já havia visto em toda a sua vida, um verdadeiro cavalheiro da Capital. Será que Dália daria um jeito de se envolver com ele?

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