O coração de Keila batia descompassado de empolgação, mas por fora ela fingia estar em um dilema.
O que ela disse, de fato, fazia sentido.
Jamile também hesitou um pouco ao ouvir isso.
O que ela temia era que Dália usasse aquele suposto segredo para ameaçá-la.
Keila percebeu que sua mãe não estava disposta a lutar por ela.
Ela se sentiu um pouco desconfortável. A mãe não dizia que a amava mais do que tudo?
E não estava disposta a fazer essa pequena coisa por ela.
Keila escondeu a decepção em seus olhos.
— Eu sei que isso com certeza vai colocar a senhora em uma posição difícil, e talvez a Dália até crie problemas. Deixa para lá.
— Eu não quero que a senhora passe por aborrecimentos por minha causa.
— De jeito nenhum. — Jamile, pelo contrário, não aceitou.
Essa tática de recuar para avançar funcionou.
Jamile estava se sentindo em um dilema, mas ao ver a filha sendo tão compreensiva, seu amor materno transbordou.
— Não importa se ela vai concordar ou não, temos que tentar.
— Espere um pouco, vou ligar para o seu irmão.
Jamile ligou diretamente para Adilson, pedindo que ele viesse.
— Eu acabei de ver que a Dália voltou. Ouvi dizer que ela ficou em primeiro lugar na seletiva e conseguiu a Vaga de Excelência Acadêmica. Deveríamos comemorar com ela.
— Venha para cá, vamos todos jantar juntos.
— A senhora está falando sério? — Adilson suspeitou um pouco das más intenções de sua mãe.
Mas sua suspeita tinha fundamento. Desde que Keila começou a se importar com as notas de Dália, sua mãe nunca mais tratou Dália bem.
— Não existe rancor que dure de um dia para o outro em uma família. Eu não estou feliz por ela também?
A boca de Jamile se contraiu. Nem seu próprio filho acreditava nela.
Como ela poderia estar feliz?
— A senhora tem razão, estou indo para aí.
Jamile desligou o telefone e foi pessoalmente até a casa de Dália.
Dália estava tomando banho, e Soraia estava sentada no tapete assistindo TV e comendo salgadinhos.
Ao ouvir alguém bater na porta, ela não ficou muito feliz.
— Já vai, quem é?
— A senhora vai cozinhar, Tia Jamile? — Soraia achou que aquilo era como uma raposa desejando feliz ano novo para uma galinha — não havia boas intenções!
Embora a Tia Jamile soubesse cozinhar, e diziam que suas habilidades culinárias eram boas quando ela era jovem.
Mas depois de tantos anos vivendo no luxo, a comida dela ainda seria comestível?
Mesmo que ela cozinhasse bem, quem garantiria que ela não colocaria veneno na comida?
Afinal, Keila tinha muita inveja de Dália.
— Eu poderia cozinhar, mas tenho medo de que vocês não gostem.
— Vi que abriu um restaurante novo aqui perto que parece bom, vamos comer lá.
Jamile, é claro, não queria cozinhar.
Há quantos anos ela não entrava em uma cozinha?
Fazer com que ela ficasse na cozinha preparando uma mesa cheia de comida como uma dona de casa qualquer? Aqueles jovens não mereciam isso!
Ao ouvir que a Tia Jamile não iria cozinhar, Soraia suspirou aliviada.
Ela tinha medo de que a Tia Jamile, em um momento de impulso, as envenenasse.
— Então temos que perguntar para a Dália. Ela acabou de voltar da Capital e está muito cansada. — Soraia não ousava tomar decisões por Dália.

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