A vendedora não esperava uma reação tão ríspida:
— Eu só estava tentando ajudar.
— Se insistem em ver os lançamentos, fiquem à vontade.
Dito isso, cruzou os braços e se afastou, escorando-se na parede.
Que atitude deplorável!
Dália a encarou, mas a vendedora não moveu um músculo.
A velha senhora, entretanto, passou os olhos rapidamente pelas araras de lançamentos. O tecido parecia barato e a modelagem, sem graça.
— O caimento é péssimo. Vamos para outra loja.
Ela não era mulher de gastar latim à toa.
Dália compartilhava da mesma postura. Ela entrelaçou o braço ao da avó e as duas se viraram para sair.
Mas a funcionária não aguentou ficar calada:
— Se não têm dinheiro, não deveriam nem entrar. Ainda vêm colocar defeito na roupa! Caipiras!
Dália virou-se bruscamente, fuzilando a mulher com o olhar:
— O que você acabou de dizer?
— E eu disse alguma mentira?
— Quem não tem onde cair morto não deveria entrar numa loja dessas. Fui bondosa em oferecer as liquidações, mas vocês preferiram se armar de arrogância exigindo lançamentos.
— Nossa grife tem uma reputação excelente, e essa senhora abre a boca para dizer que o tecido é péssimo.
— Se não podem pagar, tudo bem, mas não venham difamar a loja!
A voz da vendedora não era um grito, mas era alta o suficiente para ecoar.
Os outros clientes, ouvindo a comoção, imediatamente se aproximaram para acompanhar o espetáculo.
— Aquela não é a Dália Campos? Como uma vendedora tem coragem de dizer que ela não pode pagar por uma blusa?
Por coincidência, havia ali quem reconhecesse Dália.
Mas uma garota ao lado balançou a cabeça:
— Você não foi à festa de dezoito anos da Família Campos? A máscara dela caiu na frente de todo mundo, ela não é a verdadeira herdeira.
— O quê? Como assim?
— Pois é, não se fala de outra coisa nos últimos dias.


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