— Tudo bem, vou ligar para o Lincoln agora mesmo.
Keila não esperava que Adilson fosse tão bom a ponto de querer levá-la em uma viagem de trabalho.
Ela só tinha ouvido outras pessoas falarem sobre as paisagens do Vale das Nuvens.
Quando criança, Keila era muito ajuizada e, naturalmente, não tomaria a iniciativa de pedir a Dona Campos para viajar.
Quando cresceu um pouco e foi estudar fora, ouviu de alguns colegas de famílias mais ricas sobre os lugares para onde iam nas férias de verão.
E o Vale das Nuvens sempre era o mais popular.
Keila já queria ir para lá há muito tempo.
Com as provas do ENEM terminadas, ela tinha muito tempo livre, e agora também tinha dinheiro; só estava chateada por não ter oportunidade de sair e se divertir.
Além disso, o humor dela não andava bom nos últimos dias, e com essa menção do irmão, Keila se emocionou bastante e quase derramou lágrimas.
Lincoln recebeu a ligação de Keila, e ao ouvir que ela queria viajar para o Vale das Nuvens e que Adilson também iria, ficou um pouco surpreso.
— Você tem certeza de que seu irmão vai a trabalho e não está apenas te levando para passear?
Se ele não estivesse enganado, a Família Campos não tinha negócios naquela região.
Será que Adilson queria desenvolver um novo projeto?
Investir em desenvolvimento turístico?
Mas agora a Família Campos, assim como a Família Salazar, havia investido todo o dinheiro no projeto do Setor Oeste. De onde tirariam dinheiro para investir em turismo?
Se fosse o próprio Adilson usando suas economias pessoais, até seria possível.
Mas aí o projeto não seria grande.
Seria apenas um teste de mercado.
Lincoln tendia mais para essa última opção.
Ele achava que, já que Adilson estava disposto a ir pessoalmente, o projeto devia ser lucrativo.
Ir junto também seria bom; na hora certa, eles poderiam fazer uma parceria usando o próprio dinheiro, sem passar pelas famílias. Se lucrassem, dividiriam; se perdessem, o prejuízo ficaria dentro de um limite controlável.
Lincoln não levou a viagem a sério, apenas assumiu que Adilson estava usando Keila como desculpa, para não deixar que muitas pessoas soubessem de um projeto lucrativo.
— Vamos de avião? — Keila perguntou.
Ela já tinha crescido tanto e nunca havia andado de avião.
Nunca tinha saído da cidade.
Dona Campos havia mencionado antes sobre pedir para alguém levá-la para viajar nas férias, mas a própria Keila não quis ir.
Ela recusou, e Dona Campos não pôde fazer nada.
— Vamos de carro. — Adilson pensou que, se dirigissem rápido, ainda conseguiriam alcançar o grupo de Dália.
— De carro, não vai ser muito cansativo? — Keila hesitou por um momento.
Ela achava que, para um lugar tão longe, poderiam perfeitamente ir de avião e depois alugar um carro lá para viajar. Não economizaria tempo e esforço?
— Viajando de carro, também dá para ver as paisagens do caminho. Se eu fosse a trabalho sozinho, com certeza escolheria ir de avião, mas como você vai a passeio, a diversão não é o principal?
Como Adilson falou dessa forma, Keila não podia recusar a gentileza do irmão, certo?
— Obrigada, Adilson. Você pensa em tudo.

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