— Me desculpe, irmã. Não foi por mal, por favor, não fique com raiva de mim.
Keila deu um passo para o lado por puro reflexo, encolhendo-se como um passarinho assustado.
Dália quase riu. O teatro não estava passando dos limites?
— Você não fez nada, por que eu ficaria com raiva?
— E outra coisa: você não precisa agir como se estivesse de frente com um monstro prestes a devorá-la toda vez que me vê.
— A menos que você me provoque intencionalmente, eu não vou perder meu tempo arrumando problemas com você.
— Nossos lugares já foram destrocados. De agora em diante, vivemos nossas vidas separadas. Ok?
Dália sempre fora direta e reta, muito diferente do estilo tortuoso e dramático de Keila.
Keila claramente não esperava por uma resposta tão contundente.
— Irmã, você tem algum ressentimento contra mim? Eu só queria que fôssemos amigas. Não queria que você se afastasse do papai e da mamãe desse jeito.
— Afinal, eles cuidaram de você a vida toda.
— Da mesma forma que a vovó cuidou de mim no interior.
Dália ergueu uma sobrancelha e, de propósito, aproximou-se de Keila:— Você acha mesmo isso?
Não tem medo de que eu decida roubar de volta o seu pai, a sua mãe e o seu precioso irmão?
Dália não expressou a última frase em voz alta, mas a leve tensão no rosto de Keila já era resposta suficiente.
É óbvio que ela não pensava assim!
O que Keila mais queria era que Dália desaparecesse do seu mundo para sempre.
— Irmã, você me culpa por ter roubado os seus pais...? — O rosto de Keila exibiu uma expressão de pura injustiça.
Adilson não suportou mais ouvir a conversa. Lançou um olhar furioso para Dália:— Dália, você tem coragem de humilhar a Keila bem na minha frente? Acha que eu estou morto?
— Claro que não, você não está aí, respirando perfeitamente bem?
— Adilson, saia da frente, por favor. — Dália não tinha a menor intenção de prolongar a discussão. Simplesmente desviou dos dois para passar.
Adilson bufou, cego de raiva:— Fique parada aí! Aonde você vai?
Dália achava a atitude de Adilson cada vez mais patética e sem sentido.
Thalita achava que Dália simplesmente se sentia superior, e isso só fazia seu ódio pela garota aumentar.
— Quando tivermos uma oportunidade, eu apresento você a ele. — Keila sugeriu com inocência.
Os olhos de Thalita brilharam. Aquilo era, no mínimo, um belo bônus surpresa!
Dália, a impostora, havia se recusado a ajudá-la, mas a verdadeira herdeira estava disposta a lhe estender a mão!
Thalita pensou que, se algum dia se tornasse cunhada de Keila, trataria a garota como uma rainha.
— Keila, você é um anjo! Diferente de certas pessoas que se acham a última bolacha do pacote e tratam os outros como lixo!
Keila abaixou a cabeça, corada:
— Eu não sou tão maravilhosa assim.
Quanto às indiretas sobre quem se achava superior, ela sabia perfeitamente de quem Thalita estava falando.
Pensou em defender a irmã, mas logo desistiu da ideia. Era evidente que Thalita detestava Dália profundamente.
Quanto mais ela tentasse argumentar, mais repulsa Thalita sentiria pela ex-herdeira.

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