— Pfft...
Dália não conseguiu segurar e riu alto.
— Tia Zuleica, de onde a senhora tirou que o Tio Noriel tem pouco tempo de vida?
Ela não sabia o que o Tio Noriel tinha dito para a Tia Zuleica para causar tamanho mal-entendido.
— Se ele não estivesse com pouco tempo de vida, por que ia passar a valorizar tudo de uma hora para outra? — Zuleica viu a expressão de Dália e percebeu que poderia ter entendido errado.
Mas se Noriel não estivesse com um problema sério de saúde, para quem estaria fazendo aquela cena de "pouco tempo de vida"?
— Como assim, dar valor à vida? — Dália ficou curiosa.
— Ele quis dormir às dez da noite, disse que iria largar o trabalho e me acompanhar no Vale das Nuvens por um tempo.
— O seu Tio Noriel sempre foi viciado em trabalho. Mesmo doente e tomando soro no hospital, ele fazia reuniões por vídeo. Como largaria tudo de repente?
— Não consigo imaginar nenhum outro motivo, a não ser que ele esteja com uma doença sem cura.
Zuleica estava realmente preocupada com o marido. Não conseguiu dormir na noite passada.
Se fosse uma doença terminal, ele deveria buscar tratamento, e não viajar.
Ela, claro, queria que o marido vivesse por muito tempo.
Os dois filhos ainda nem haviam casado.
O marido não teria nem a chance de ver os filhos casarem e terem filhos?
A expressão de Dália era de descrença.
— Tia Zuleica, existe a possibilidade de o Tio Noriel só querer descansar e cuidar do corpo?
— E também fazer companhia para a senhora.
Não tinha nada a ver com doença terminal.
— Impossível. — Zuleica não acreditava, principalmente porque aquilo não parecia o Noriel.
Se fosse Humberto Moreira, até poderia ser.
— A senhora não está acreditando no Tio Noriel. Mas mesmo se não acreditar nele, tem que acreditar em mim. Sou muito precisa ao medir o pulso. Se eu disse que não é doença terminal, então não é.

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