A força na mão do homem se tornava cada vez mais firme, e o frio em seus olhos se intensificava.
Ele havia falhado?
Ele foi abandonado?
Como ele poderia ser inferior àquele idiota do Lorenzo.
Por quê?
Por que ele deveria ser o expulso?
Por quê!
A sensação de asfixia se tornava cada vez mais intensa, e, surpreendentemente, um prazer vingativo surgia nos olhos de Carolina. Ela não lutava, apenas agarrava o braço do homem instintivamente, um impulso de sobrevivência. Seu esforço fazia suas feridas reabrirem, e o sangue deixar seu corpo lentamente.
Que seja assim...
Morrer dessa forma, arrastando esse desgraçado consigo, era melhor do que viver em agonia, carregando sozinha todas as calúnias. Mesmo que fosse seu próprio merecido castigo, ela ainda assim não se acanhava.
À medida que sua visão se turvava, Carolina só conseguia ver a máscara de prata e a metade do queixo extremamente semelhante ao de Lorenzo. Naquele momento, a curiosidade se instaurava na sua cabeça. Ela queria ver como era o rosto daquele homem.
Assim, com o último resquício de força, aproveitando a desatenção do seu algoz, ela subitamente arrancou a máscara.
O som estrondoso do metal caindo no chão quebrou o silêncio do ambiente, também despertando o homem de seu pesadelo.
Ele de repente soltou a mão, percebendo que quase havia estrangulado a mulher ali mesmo, um sentimento de melancolia e raiva surgia em seu coração.
Havia maneiras melhores de fazer ela desaparecer, por que ele precisava agir com as próprias mãos?
Agora aqueles velhos chatos provavelmente viriam reclamar com ele.
- Você está tentando me enganar? - O homem se abaixou para pegar a máscara no chão, lançando um olhar estreito para Carolina.
Carolina estava segurando seu pescoço, caída na cama, respirando pesadamente.
Por muito pouco, ela não havia morrido. Sua recuperação estava muito longe do fim, e sua condição atual não era nada boa. Com ossos quebrados e órgãos rompidos, ela mal podia aguentar aquele tormento.
Com dificuldade, ela recuperou a consciência, apenas para ver o homem caminhando em direção aos aparelhos ao lado da cama de hospital.
O homem não se moveu, apenas olhava para os aparelhos com os olhos baixos, provavelmente pensando em como assassinar a paciente sem ter que arcar com responsabilidades legais.
Ele era mesmo maligno!
Ela tentou se virar com dificuldade, querendo ver o rosto do homem. Ela pensou que, mesmo após a morte, seu espírito iria assombrar ele naquele plano e exigir sua vida em troca.
Mas quando ela virou a cabeça, foi como se tivesse sido atingida por um raio.
- Borges, Lorenzo?! - Sua voz estava rouca, mas ainda assim não conseguia esconder a surpresa.
- Lorenzo? - Ao ouvir esse nome, o homem de repente se virou, revelando seu rosto sem obstruções para Carolina. - Eu definitivamente não sou aquele inútil. Ele quase perdeu a vida por causa de uma mulher, que tolice!
O rosto do homem, quase idêntico ao de Lorenzo, deixou Carolina completamente chocada. Se não fosse pela pinta de lágrima no canto do seu olho, e a aura maliciosa que emanava dele, a enferma poderia jurar que o homem diante dela era o próprio Lorenzo.
Mas ela tinha certeza de que não era.
Ela nem se importou com o que ele havia dito antes, algo sobre Lorenzo quase perder a vida.
Ela só queria saber quem ele era. Sem hesitar, ela perguntou:
- Quem é você, afinal?
- Quem sou eu? - O homem colocou uma mão no bolso do paletó, enquanto a outra tocava casualmente nos aparelhos ao lado da cama, como se fosse a Morte preparando sua foice para colher a vida de Carolina. - Já que você está prestes a morrer, não vejo por que não posso te dizer. Eu sou Guilherme Borges. Adivinhe qual é a minha relação com o Lorenzo.
Ele se virou, com um sorriso maligno no rosto, como se fosse a própria Ceifadora vinda diretamente do inferno, fazendo com que Carolina sentisse um arrepio na espinha.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Por favor, continuem esse livro!...