O caso era muito misterioso.
Após perceberem que algo estava errado, a polícia investigou se havia alguma desavença entre a vítima e o motorista do caminhão, mas um era funcionário de uma concessionária, um homem honesto que viveu a vida toda sem causar problemas.
O outro, o motorista do caminhão, também não apresentava problemas em sua verificação.
Ele não bebia álcool, não fumava, não apostava, não tinha dívidas pendentes, mantinha um bom relacionamento familiar e, realmente, não havia motivo aparente para cometer um crime.
Além disso, o motorista insistiu em admitir que havia entrado na pista errada por estar cansado e estava disposto a aceitar todo o julgamento, portanto, a polícia só pôde tratar o caso como um acidente de trânsito.
Agora, ouvindo as palavras de Leopoldo, Cristóvão também entendeu a chave do acidente.
A pessoa ferida não era o verdadeiro alvo. Ao perceberem isso, Leopoldo e Cristóvão trocaram olhares, e seus olhos escuros se tornaram imensamente profundos.
Eles não demoraram, nem mesmo se preocuparam em visitar novamente o velho senhor que ainda estava deitado na cama do hospital, e partiram apressadamente.
Quando chegaram à delegacia, Leopoldo encontrou uma face familiar saindo de lá por acaso. O homem também pareceu surpreso, mas não tanto quanto Leopoldo.
- Leo, que coincidência. - Emanuel ainda estava vestindo seu jaleco do laboratório.
Ele acenou brevemente para Cristóvão e então disse:
- Leo, veio à delegacia perguntar sobre sua irmã?
- Sim. - Afirmou Leopoldo, e analisou o jaleco de Emanuel. - Você não diz sempre que o jaleco é a roupa mais suja? Por que está usando ele agora?
A mania de limpeza de Emanuel era conhecida, ele sempre reclamava das pessoas da faculdade de medicina que visitavam seus pacientes vestindo jalecos cheios de bactérias, algo que ele detestava profundamente.
Aquela era a razão pela qual ele se dedicava à pesquisa de equipamentos médicos sem estudar medicina, o medo da sujeira.
Emanuel forçou um sorriso e disse:
- O jaleco pode estar sujo, mas é o meu uniforme de trabalho no laboratório, está esterilizado. - Ele não prolongou a conversa inútil, enfiou as mãos nos bolsos e levantou o queixo. - Vamos, eu já me informei, vocês não precisam entrar para interrogar novamente, caso contrário, se aquela pessoa morrer lá dentro, os policiais não terão como se explicar.
Ele andou para frente e sua sombra se alongou com a luz da lua.
Atrás dele, Leopoldo e Cristóvão trocaram um olhar rápido e se apressaram em seguir.
Emanuel entrou no carro de Leopoldo e Cristóvão rapidamente se aconchegou no banco do passageiro.
Assim que os dois entraram no carro, imediatamente começaram a pressionar Emanuel sobre o acidente.
Este último, claramente hostil em relação a Cristóvão, respondeu com um tom áspero:
- As pessoas da família Siqueira ainda têm a cara de pau de perguntar?
Ao ouvir isso, Leopoldo e Cristóvão tiveram algumas de suas suspeitas parcialmente confirmadas.
- Manu, não fale assim, minha mãe também é da família Siqueira. - Disse Leopoldo.
Cristóvão mordeu o lábio, pensando nos problemas associados à família Siqueira, e não retrucou.
Se não fosse por Melissa, ele poderia aceitar a identidade da família Siqueira, mas por causa dela, ele as vezes tinha vergonha do próprio sobrenome.
Ao ouvir a defesa de Leopoldo, Emanuel respondeu preguiçosamente:
- A tia Giovanna é diferente.
Leopoldo também não queria discutir e disse:
- Tudo bem, Manu, conta o que aconteceu.
Com uma autoridade que lembrava a de um pai, Leopoldo também tinha seu poder entre os irmãos. Sua insitência fez Emanuel começar a falar, e enquanto falava ele tirou um gravador do bolso.
Ele não se apressou em apertar o botão de reprodução, e antes lançou um olhar frio para Cristóvão.
- A família Siqueira deveria estar agradecida que minha irmã não se machucou. Se fosse ela dirigindo na hora do acidente, você sabe as consequências?
A frieza em sua voz fez o coração de Leopoldo pesar.
De acordo com a situação daquele dia, não apenas Tatiana, mas Geovane também poderia ter se envolvido no acidente.
- Então, você tem certeza de que foi Melissa quem fez isso? - Perguntou Leopoldo em voz baixa.
Emanuel suavizou sua expressão e apertou o botão do gravador.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Por favor, continuem esse livro!...