Por que dizer que quem deu as flores não foi Loh? Ele não estava bem ali, diante de Tatiana?
Tatiana franziu a testa ao olhar para as belas rosas desabrochando na entrada e depois para o rosto impassível de Lorenzo. Ela apertou os lábios e, hesitante, falou:
- Loh, você quer dizer que essas rosas não foi você quem colheu? Mas, de qualquer forma, foi você quem as trouxe e me entregou. Eu não estou entendendo o que você quer dizer com isso.
Ela olhou fixamente para Lorenzo, como se buscasse alguma resposta em seu rosto. Infelizmente, não encontrou nada.
A expressão séria de Lorenzo havia se suavizado um pouco. Ele abaixou os olhos, mas não evitou o olhar de Tatiana.
- Minha intenção não era sobre este buquê de rosas, eu estava falando sobre...- De repente, ele deu um passo à frente, se aproximando de Tatiana e diminuindo a distância entre os dois. - Eu só estava pensando, no passado eu não fui muito bom para você, e parece que hoje também não mudei muito. Como você pode ter certeza de que gosta de mim como pessoa, e não apenas porque sou o Lorenzo?
- Qual a diferença? - Tatiana franziu ainda mais a testa, seus lindos olhos negros cheios de incompreensão. - Você não é o Lorenzo? Gostar de você ou gostar do Lorenzo, não é a mesma coisa?
- E se não for? Afinal, um nome é apenas uma forma de se referir a alguém.
Lorenzo também não desviou o olhar, como se a pressionasse a dar uma resposta.
Tatiana ficou momentaneamente atordoada, provavelmente refletindo sobre o significado das palavras dele. Ela recolheu a expressão confusa e seu semblante ficou sério de repente. Após um breve momento, ela deu uma resposta muito sincera.
- Loh, na verdade, eu ainda não entendo muito bem o que você quer dizer, porque aos meus olhos, você é o Lorenzo, o único e inigualável Loh. Mas se você realmente quer que eu escolha entre você e esse nome, eu naturalmente escolherei você. Como você disse, um nome é apenas um rótulo. Quanto ao que você falou sobre o passado...
Ela fez uma pausa e, de repente, um sorriso gentil apareceu em seu belo rosto.
- Eu pensei um pouco e talvez você tenha razão sobre o passado. Antigamente, eu gostava de você porque nossas famílias estavam unidas em matrimônio, então, um dia após o outro, fui me convencendo de que você era meu marido. Mesmo quando Carolina voltou, eu não consegui me desvencilhar rapidamente dessa relação e não conseguia distinguir se realmente gostava de você ou se estava presa ao passado, sem querer seguir em frente. - Tatiana continuou, sua voz suave como uma brisa. – Eu vi em um experimento social na internet que, onde duas pessoas dizem "eu te amo" uma para a outra repetidamente cem vezes, elas acabam criando a ilusão de que realmente se amam.
Ela passou muitos anos na família Garrote, aceitando a ideia de que, quando crescesse, se casaria com Lorenzo. Não é que nunca tenha pensado em desistir dele, mas, ao vê-lo entregar toda a gentileza e carinho que uma vez foram seus a outra garota, o coração dela não podia evitar sentir tristeza.
Se gostava dele? Ela não sabia. Mas tinha certeza de que sentia tristeza e um grande apego. Sendo assim, considerou aquilo como gostar.
Mas agora, não havia mais nenhuma outra mulher, nem Carolina. Ela ficava feliz ao receber rosas e também ao vê-lo. O que mais poderia ser?
Tatiana sorriu:
- Antes eu podia não ter certeza, mas Loh, agora você está sendo bom para mim, por que esta me perguntando essas coisas?
- Talvez porque...
Lorenzo abaixou o olhar, e contra a luz, suas emoções eram ainda mais difíceis de decifrar. Não era claro se ele estava fingindo ou se havia alguma sinceridade em suas palavras.
Ele disse:
- Talvez porque eu tenha medo de que você me abandone.
Tatiana não conseguiu segurar a risada.
Se aquele homem não estivesse bem na sua frente, ela provavelmente teria rido ainda mais abertamente.
Mas, com ele ali, ela precisava manter um certo decoro.
Depois de extravasar suas emoções, restou apenas o brilho estrelado de seus olhos sorridentes.
Tatiana olhou para ele seriamente, sua voz suave:
- Eu gosto das rosas que você me deu e estou disposta a deixar minha terra natal para ficar com você. Se alguém tivesse de ter medo de ser abandonado, esse alguém deveria ser eu. Loh, por que você pensa assim?
Sim, por que Lorenzo pensaria assim?
Se alguém fosse abandonado, seria porque Lorenzo se cansou deste jogo de papéis e, finalmente, descartou Tatiana de vez.
Como poderia ser Lorenzo o abandonado?
No entanto, Lorenzo sentia uma espinha atravessada no coração, uma inquietação que o fazia querer romper a camada de proteção e revelar seu verdadeiro nome a ela. Ele queria dizer a ela que não era o Loh de quem ela falava.
Seu nome era Guilherme, o idiota que ela havia xingado inúmeras vezes, e não o Lorenzo que ela tanto amava.
Mas Lorenzo não se atreveu a apostar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Por favor, continuem esse livro!...