Para ser sincera, quando ela jogou aqueles dois comprimidos no banheiro na noite anterior, sentiu uma pontada de culpa. Afinal, estava quebrando sua promessa a ele, e ao enfrentar sua bondade, surgiam inevitavelmente outros sentimentos em seu coração.
Mas a mensagem da tarde dissipou completamente toda a sua culpa e insegurança.
Afinal, ele planejava manter ela completamente sob seu controle, mesmo que isso significasse transformar ela em uma pessoa sem pensamento próprio.
Como ela poderia continuar ao seu lado?
Como poderia ser tão tola a ponto de se deixar levar por aquela "emoção" passageira?
Como não deveria partir?
No entanto, os dias que passaram juntos foram genuínos. Talvez por querer eliminar a última fagulha de esperança em seu coração, Tatiana não conseguiu evitar falar com o homem ao seu lado.
- Guilherme, o que você acha que eu deveria fazer depois que sairmos do país? Você mencionou que eu já trabalhei como design de moda, mas agora esqueci de muitas coisas e provavelmente precisarei aprender tudo de novo. – Disse Tatiana.
- Ao meu lado, você ainda acha que precisa de um trabalho? Tati, você acha que eu não posso te sustentar? – Disse Guilherme a olhando de lado, com um tom arrogante e desdenhoso.
Na luz tênue, seu humor estava claramente muito bom.
Mas, ao olhar para o sorriso de Guilherme, o coração de Tatiana estava vazio.
Ela já deveria saber que essa seria a resposta. Mesmo assim, não podia evitar perguntar, mesmo que soubesse a resposta.
Claro, alguém como ele, que nem permitia que ela fosse ver seus próprios pais, jamais a deixaria seguir seus próprios desejos.
Tatiana já podia prever como seria sua vida se realmente fosse com ele para o exterior.
Seria mantida como um pássaro em uma gaiola dourada, vivendo cada dia conforme o humor dele.
Se ele estivesse de bom humor, talvez ele a mimasse como fazia agora, disposto a acompanhar ela nas suas caminhadas pela cidade, comprando qualquer coisa que ela desejasse com um simples gesto.
Mas, e se ele estivesse de mau humor?
Talvez seu destino fosse ainda pior do que o daquele gerente da recepção do hotel. Ser ignorada poderia ser o menor dos males. Se ela realmente se adaptasse a essa vida, sem capacidade de se sustentar sozinha após se afastar de outras pessoas, o que seria dela?
Seria deixada nas mãos de outros, e além de baixar a cabeça para agradar eles, não haveria outro caminho.
Aceitar isso? Claro que não. Ela não queria e não podia aceitar.
Então, a melhor solução era mesmo partir.
Afinal, ficar ao lado de Guilherme, considerando sua personalidade, talvez ele não fosse tão cruel a ponto de entregar ela outros, mas o terror daquela cirurgia...
Tatiana podia imaginar que, se mostrasse sinais de recuperar a memória, aquele louco provavelmente a levaria para aquela cirurgia, transformando suas lembranças em uma folha em branco.
Mas como ela poderia escapar?
Tatiana não respondeu às palavras de Guilherme. Seus pensamentos eram muito complexos e qualquer resposta seria insincera. Era melhor deixar passar.
Ela simplesmente sorriu para ele e continuou a caminhar sem rumo ao longo da pequena trilha.
Embora o hospital não fosse à beira-mar, à noite ainda se podia sentir a brisa vinda da praia, diferente do calor sufocante do dia.
Ela levantou o rosto, sentindo a brisa noturna, e de repente algo veio à mente, fazendo ela rir.
- O que foi? – Indagou Guilherme inclinando a cabeça para olhar para ela.
- Nada demais, apenas me lembrei que em cidades costeiras, o vento que sentimos durante o dia é a brisa do mar, e à noite é a brisa da terra. Quando senti o vento agora, minha primeira reação foi pensar que era a brisa do mar, por isso achei engraçado. – Explicou Tatiana, ainda sorrindo.
Guilherme não entendeu o que havia de engraçado nisso. Era apenas um conhecimento sendo corrigido. Qual era a graça?
Ele não respondeu, mas manteve um sorriso suave no rosto, olhando para Tatiana enquanto ela aproveitava a brisa noturna.
- Já demos uma volta. Quer voltar? – Perguntou Guilherme.
- Já? – Indagou Tatiana, seu rosto mostrou decepção, ainda desejando mais.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Após divórcio, ex-marido implora por reconciliação todo dia
Por favor, continuem esse livro!...