No entanto, Hélder disse com um tom indiferente:
— Eu liberei o motorista para ir embora mais cedo.
Eulália não teve escolha a não ser desistir da ideia de expulsá-lo e deu partida no carro para retornar à Villa Orquídea.
Durante o trajeto, Hélder descansou com os olhos fechados, enquanto Eulália se concentrava na direção.
Nenhum dos dois disse uma palavra.
Uma hora depois, o carro foi estacionado na vaga.
Hélder abriu os olhos ao ouvir o som do motor desligando.
Eulália desceu do carro sem sequer olhar para ele e caminhou a passos largos para dentro da mansão.
Hélder a seguiu de perto e, ao vê-la indo em direção ao quarto de hóspedes na sala de estar, deu um passo à frente para bloqueá-la:
— Vamos conversar.
Eulália levantou o olhar para encará-lo, parou de andar e esperou que ele falasse.
Hélder abaixou os olhos para observar o lado esquerdo do rosto dela, que já estava menos inchado:
— Por que o seu pai te bateu?
Eulália virou o rosto para o lado:
— Não foi nada.
Percebendo mais uma vez a diferença em sua atitude, Hélder franziu ligeiramente a testa:
— Com o que você está tão zangada?
Eulália soltou-se da mão dele e respondeu com calma:
— Eu não estou zangada.
Já que ele queria conversar, ela seria bem clara:
— Hélder, se o meu pai pedir mais fundos ou investimentos, por favor, não aceite mais.
Hélder indagou:
— Por quê?
Eulália respondeu com firmeza:
— Vamos nos divorciar cedo ou tarde, então é melhor não termos tantas ligações financeiras.
Eulália acreditava estar declarando os fatos com um tom extremamente gentil, mas Hélder presumiu que ela ainda estava chateada com o incidente da tarde.
Ele questionou:
— Você está com raiva porque não te levei ao encontro de ex-alunos, ou porque eu impedi vocês de maltratarem a Silvana?
Ao ouvir isso, Eulália não sabia se ficava irritada ou se ria de si mesma.
Antigamente, ela o seguia desesperadamente para onde quer que ele fosse, então era compreensível que ele pensasse daquela forma.
Hélder examinou o rosto dela e explicou com uma paciência rara:
— Ninguém levou os parceiros ao encontro, e não fui eu quem levou a Silvana. Foram os colegas que a convidaram.
Eulália retrucou com ironia:
— Eu me lembro muito bem que você e ela não são da mesma turma.
Hélder não disse nada.

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