Ela costumava justificar aquilo dizendo que onde o marido ia, a esposa o seguia.
Hélder nunca demonstrava aprovação nem rejeição, simplesmente a deixava ir atrás dele.
Como resultado, eles passavam quase todo o tempo grudados após o horário de trabalho.
No entanto, no último mês desde o retorno de Silvana ao país, ela havia sido forçada a jantar sozinha na maior parte das vezes.
Pensando nisso agora, Hélder devia ter ficado extremamente irritado com as investidas dela naqueles dois anos.
Observando as quatro travessas e a sopeira na mesa, Eulália pegou os seus talheres.
Ela mal havia dado duas mordidas quando recebeu uma ligação de Adilson.
Lembrando-se do incidente da noite anterior, ela atendeu prontamente.
Antes que pudesse fazer qualquer pergunta, a voz gélida de Adilson ecoou através do aparelho.
— Você está realmente decidida a se divorciar do Hélder?
Eulália fez uma pausa.
Percebendo a estranheza no tom de Adilson, ela questionou:
— O que aconteceu?
— Aqueles vândalos que te atacaram ontem à noite, eu os entreguei na delegacia, mas os homens de Hélder intervieram e os soltaram.
A colher escapou da mão de Eulália, caindo no chão e produzindo um barulho estridente ao colidir contra o mármore.
Ela ficou muda.
Adilson falou em tom grave:
— Eulália, se você está certa de querer o divórcio, eu mesmo me vingarei por você. Mesmo que não consiga destruir Hélder, farei da vida dele um inferno.
Ela não duvidava de que Adilson cumpriria a promessa.
Nos tempos de escola, ele espancara um garoto que a havia assediado até causar fraturas graves.
No entanto, o agressor vinha de uma família influente e recusou-se a fazer um acordo, o que gerou um enorme escândalo, quase resultando na expulsão de Adilson do colégio; a situação só fora resolvida quando o pai dele, Raulino, interveio e ofereceu vantagens financeiras e um acordo milionário.
Eulália não queria que Adilson se envolvesse em outro problema do tipo.
Especialmente considerando que ele ainda tinha Valentino no caminho.
Não sendo o principal responsável pelo Grupo Coelho, entrar em conflito direto com Hélder só lhe traria desvantagens.
Simplesmente não valia a pena.
— Adilson. — Ela disse com a voz rouca. — Eu vou resolver isso sozinha, por favor, não interfira.
Adilson deu um sorriso amargo.
— Você ainda não consegue desapegar dele.
— Não, eu não suportaria ver você se machucar. — Ela soltou sem pensar.
Adilson ficou em silêncio.
Eulália começou a se explicar.
— A sua situação na família Coelho já é bastante complicada, e eu não quero que a minha vida cause ainda mais problemas para você.
Ouvindo o quanto ela se preocupava com ele, Adilson soltou um riso leve.
— Eu não tenho medo.
— Mas eu tenho medo. Adilson, eu não quero que você e a Flávia acabem prejudicados por minha causa.

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