Apesar de Fernando ter prometido buscá-la pessoalmente, Eulália ainda se sentia muito inquieta.
Ter escapado de ser descoberta por Hélder naquele dia foi pura sorte, mas isso não significava que ele havia baixado a guarda.
Nos dias seguintes, ela precisava agir com o máximo de normalidade.
O dia de visitar a Mansão da família Gomes chegou novamente.
Hélder saiu cedo do trabalho para buscá-la na Villa Orquídea. Ao ver que o peso da barriga a impedia até de se curvar para calçar os sapatos, ele agiu sem hesitar.
Ele se abaixou, pegou as sapatilhas de couro macio e calçou os pés dela, que estavam um pouco inchados devido à gravidez.
O elegante e distante Hélder agachado para calçar seus sapatos.
Isso era algo que a Eulália de três anos atrás jamais ousaria imaginar.
— Que tal não irmos? Eu aviso ao vovô.
Após terminar, ele se levantou, interrompendo os pensamentos dela.
— Não é necessário. Quero evitar que você volte cheia de machucados de novo.
Hélder: — ...
Então, aos olhos dela, ele ia à Mansão apenas para apanhar?
Eulália não estava dizendo isso por ele, mas porque era a última vez e não havia necessidade de causar problemas desnecessários.
Era apenas um jantar de rotina, afinal.
Além disso, já fazia um tempo que ela não via Teresa e Estevan. Como em três dias ela partiria sem se despedir, aquela noite serviria como uma despedida formal.
Os dois chegaram pontualmente à Mansão. Os outros já estavam presentes. Ao vê-los entrar, Alessandra acenou para ela.
Eulália caminhou até ela.
Alessandra olhou para a barriga de grávida dela e perguntou animada:
— Nossa, não nos vemos há um mês e a barriga já está tão grande. Quando é a data prevista?
Eulália respondeu com um sorriso:
— Vovó, ainda falta mais de um mês.
Alessandra suspirou.
— Passa rápido. Não sabemos se é menino ou menina.
Teresa sorriu.
— Ela não quis saber, mas menino ou menina, é a mesma coisa.
— É a mesma coisa, mas como Valentino já tem um filho, eu adoraria que o primeiro filho de Hélder fosse uma menininha doce. Afinal, com o quão bonitos esses dois são, a bebê com certeza seria lindíssima.
Ao ouvir isso, Eulália percebeu um tom de saudade nas palavras de Alessandra. Ela devia estar se lembrando de sua própria filha que havia falecido prematuramente.
Eulália acariciou a mão de Alessandra e disse sorrindo:
— Está bem, então daremos uma bisneta para a vovó.
Alessandra riu de orelha a orelha.
— Menina boba, eu só estava comentando. Menino ou menina, isso está nas mãos de Deus, nós não controlamos.

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