Os dedos de Eulália apertaram o volante abruptamente.
— Psicopata.
Após resmungar essa palavra, Eulália acelerou com uma expressão fria e deixou o hospital.
Ela pisou no freio assim que o semáforo à frente ficou vermelho.
Enquanto esperava o carro parado, ela não pôde deixar de pensar na noite que Horácio havia mencionado.
Embora ela nunca tivesse dado importância àquilo, o retorno de Horácio tinha um significado obscuro.
Ele provavelmente estava ali para causar problemas.
No entanto, dado o estado atual do seu relacionamento com Hélder, ela não tinha medo de que Horácio arruinasse alguma coisa.
Tudo o que ela queria agora era descobrir por que as coisas de Catarina haviam ido parar em uma loja de segunda mão.
Meia hora depois, o carro parou em frente à residência da família Cardoso.
Assim que saiu do veículo, ela viu uma pilha de coisas espalhadas ao redor da lixeira.
Eulália caminhou até lá no exato momento em que a empregada jogava fora mais uma caixa.
Ela se abaixou para pegar um livro da caixa de papelão e descobriu que as literaturas médicas e os livros preciosos de Catarina estavam sendo descartados, enquanto uma montanha de roupas dela jazia ao lado.
— Quem mandou você jogar isso fora? — Esbravejou Eulália, agarrando a empregada enquanto a raiva subia à sua cabeça.
A empregada sentiu um medo instintivo ao ver Eulália, mas relaxou ao lembrar que ela não era mais a filha da família Cardoso, e sim apenas uma órfã de origem desconhecida.
— Foi a patroa quem mandou. — Respondeu ela, endireitando a postura e falando com arrogância.
Era mesmo Lorena.
Eulália a soltou e entrou rapidamente na mansão com uma expressão gélida.
Lorena estava sentada no sofá, provando joias com Silvana, e não percebeu a entrada de Eulália até que ela já estivesse parada diante delas.
— Você não avisa mais quando vem em casa? — Perguntou Lorena, franzindo a testa enquanto o seu sorriso congelava instantaneamente.
— O papai cortou relações comigo? — Retrucou Eulália com o rosto inexpressivo, lançando-lhe um olhar de desprezo.
— O que você quer? — Resmungou Lorena, engolindo em seco e erguendo o queixo de forma ríspida.
O olhar de Eulália recaiu sobre a mão de Silvana.
O que ela usava no pulso naquele momento era a pulseira de um conjunto de joias que Catarina havia encomendado para o aniversário de dezoito anos de Eulália.
E as outras peças do conjunto estavam espalhadas pelo sofá ao seu redor.
Aquele conjunto de joias valia o mesmo que um apartamento na área mais luxuosa de Auriverde.
— Não me entenda mal. Eu nunca tocaria nas suas coisas. — Explicou Silvana, percebendo o seu olhar e tirando a pulseira constrangida para guardá-la na caixa.

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