Eulália sentiu-se um pouco surpresa.
Ela não podia acreditar que Silvana tivesse tido a audácia de confessar tudo a Hélder.
Será que ela não temia que Hélder a julgasse pela sua vida pessoal promíscua?
— Silvana lhe mostrou as fotos? — Perguntou Eulália, curiosa.
— O que você está insinuando? — Retrucou Hélder, com um olhar frio.
Eulália ficou sem palavras por um instante.
Mesmo após ver as fotos íntimas de Silvana com outros homens, Hélder ainda queria ajudá-la.
Ela não sabia que Hélder podia ser tão obcecado e apaixonado.
Mas aquilo já não lhe dizia respeito.
Ela não seria hipócrita e dramática.
Contanto que ela conseguisse recuperar as joias de sua mãe, não fazia a menor diferença se elas fossem resgatadas por Lorena e a sua filha, ou por Hélder.
— Tudo bem. Assim que você recuperar as coisas, eu destruirei as fotos. — Concordou Eulália, assentindo de forma direta.
Hélder abaixou o olhar e encarou-a com uma expressão severa.
— Mais alguma coisa? — Perguntou Eulália, erguendo uma sobrancelha ao ver a sua falta de reação.
No entanto, o homem continuou em total silêncio, apenas estudando-a com uma postura dominadora e superior.
Um idiota.
Eulália xingou-o mentalmente, mas manteve um tom educado em sua voz.
— Se não houver mais nada, eu vou dormir.
Após dizer isso, ela tentou fechar a porta.
Mas, inesperadamente, o homem esticou o braço e bloqueou o seu movimento.
Eulália pareceu confusa.
Hélder usou as suas longas pernas para entrar, e a sua aura intimidadora forçou Eulália a recuar um passo instintivamente.
Mas logo ela lembrou que aquele era o seu próprio quarto.
— Você pode dizer o que quiser daqui mesmo. — Disse ela, empurrando o peito do homem com as duas mãos.
Antes que ela pudesse terminar a última sílaba, o homem agarrou as suas mãos violentamente e empurrou-a contra a parede.
Ele abaixou a cabeça, e os lábios de ambos estavam prestes a se tocar.
Eulália virou o rosto para o lado inconscientemente, evitando o beijo.
Tudo em que ela conseguia pensar era que ele estava fazendo aquilo apenas por Silvana.
Mesmo que tentasse desesperadamente agir como se nada estivesse acontecendo.
O seu coração ainda sentia uma dor aguda e incontrolável.
Como ele podia ignorá-la de forma tão brutal e completa?
Ele sequer permitia que ela se escondesse para lamber as suas próprias feridas, fazendo questão de torturá-la bem na sua frente.

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