Ao ver o deslumbrante carro esportivo azul estacionado bem na entrada do prédio, Eulália franziu a testa em confusão.
— É proibido estacionar na porta, o guarda não te barrou?
Adilson deu de ombros, completamente despreocupado.
— Eu fiz um PIX de duzentos e cinquenta para ele e prometi que ficaria apenas meia hora.
Eulália ficou sem palavras.
Ela lançou-lhe um olhar de desaprovação.
— Burguês safado.
Adilson abriu um sorriso provocador.
— Você também já fez parte desse grupo.
— Mas agora eu voltei para o caminho da retidão.
Lembrar da bolsa e do celular roubados na noite anterior, além do dinheiro em espécie e dos cartões vip de clínicas de estética que ela havia adquirido quando ainda usava o título de filha da família Cardoso, causou-lhe uma pontada de tristeza.
Observando a expressão amargurada dela, Adilson adivinhou seus pensamentos e a empurrou para o banco do passageiro.
Eulália segurou a porta do carro.
— Eu vim dirigindo o meu próprio carro.
Ignorando os protestos dela, Adilson bateu a porta, acomodou-se no banco do motorista e colocou o cinto de segurança.
— A partir de amanhã, eu serei o seu motorista.
— Por que você faria uma loucura dessas? — Eulália franziu a testa, recusando a oferta de imediato. — Não precisa.
Adilson não insistiu na ideia.
— Então vamos jantar em algum lugar por aqui e, depois, eu te trago de volta para pegar o seu carro.
Aquela era uma solução aceitável.
Eulália desistiu de argumentar.
Os dois caminharam até um shopping ali perto.
Ao passar por uma loja de eletrônicos no primeiro andar, Eulália lembrou-se de que não tivera tempo de comprar uma capinha para o seu novo celular pela manhã, o que a estava deixando incomodada.
— Venha comigo escolher uma capinha para o celular. — Pediu ela.
Adilson assentiu e a seguiu para dentro do estabelecimento, mas antes de darem o segundo passo, Eulália congelou no lugar, fazendo com que ele quase esbarrasse nela.
— O que foi?
Eulália permaneceu em silêncio.
Adilson ergueu os olhos, seguindo a direção do olhar petrificado da garota.
Eram Hélder e Silvana.
Hélder estava no meio de uma ligação telefônica.
E, por ironia do destino, ele olhou na mesma direção no momento exato, notando a presença dos dois.
Silvana, disfarçada com um boné e uma máscara cirúrgica, examinava os aparelhos em exposição.

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