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Após o Divórcio, Um Segredo. O Filho Não É Dele! romance Capítulo 1

No meio da noite, Cecília postou uma foto do seu bebê recém-nascido, acompanhada da legenda:

[Promovida a mamãe! Meu herdeiro legítimo!]

Em menos de uma hora, o ex-marido, de quem ela tinha se divorciado há seis meses, bateu à porta.

Assim que Cecília abriu a porta, o rosto sombrio de Heitor fez a temperatura daquele pequeno apartamento de dois quartos despencar.

— O que você está fazendo aqui? — A mão de Cecília apertou com força a maçaneta.

O homem manteve o rosto frio, sem dizer uma palavra, entrou diretamente. Seus sapatos de couro impecavelmente polidos contrastavam com o piso antigo e estampado do prédio velho.

Não era a primeira vez que ele estava ali. Sem hesitar, ele seguiu direto para o quarto de Cecília.

Seu assistente, Leandro Santos, carregava um documento nas mãos.

— Secretária Cecília, quanto tempo. Este é um acordo de custódia redigido às pressas pelo advogado pessoal do Sr. Heitor. — Ele estendeu o documento para ela.

Cecília pegou o acordo e deu uma rápida olhada.

O primogênito da família Siqueira deve ser criado pela família Siqueira.

Em meio a todo aquele texto longo e formal, foi essa frase que seus olhos captaram de imediato.

Como esperado, Heitor queria a guarda da criança. Ainda assim, ele não era completamente desumano, ela poderia ficar com o filho até os três anos de idade. Contanto que estivesse disposta a aceitar. Se não estivesse, ele levaria a criança naquele mesmo instante.

Uma dor leve, mas persistente, floresceu no fundo do peito de Cecília, espalhando-se lentamente por todo o corpo.

Ela ainda estava atordoada quando Heitor saiu do quarto.

— Onde está a criança?

Quando se casou com ele, dois anos atrás, Cecília já sabia que ele era um homem de poucas palavras e de sangue frio.

Mas Heitor era correto. Depois de uma noite inesperada entre os dois, ele assumiu a responsabilidade e propôs a ela o casamento.

Ela aceitou por causa do amor não correspondido que ela carregava há seis anos.

Mas, num momento como aquele, ele estava sendo reservado demais. Ele não tinha mais nada a dizer?

Leandro olhou para Cecília com pena. Percebendo o clima tenso, retirou-se discretamente do apartamento, fechando a porta atrás de si.

O espaço apertado mergulhou em silêncio.

— Que criança? — Cecília soltou uma leve risada, quebrando o silêncio.

Heitor permaneceu de pé no centro da sala. A luz amarela sobre sua cabeça tornava seus traços indistintos.

Cecília virou-se. Seu rosto claro estava completamente iluminado, e seus olhos, negros e límpidos, pareciam inocentes, como se realmente não entendesse o que estava acontecendo.

— Segundo as minhas contas, você já estava grávida quando nos divorciamos. Se era assim, por que quis se divorciar? — O tom de Heitor não carregava emoção alguma.

Era pura curiosidade.

Depois de se casar com ele, Cecília percebeu que ele só havia se casado por responsabilidade. Se tivesse que encontrar outra razão além da responsabilidade, talvez fosse apenas o desejo de ter uma parceira legítima para satisfazer suas necessidades físicas.

Em dois anos, ela entendeu perfeitamente qual era seu lugar no coração dele.

Crescida em um orfanato, Cecília sempre careceu de amor e de segurança. E aquele casamento não lhe trouxera nenhum afeto. Exceto nos momentos em que ele a desejava na cama, quando seus olhos pareciam enxergar apenas ela.

Por isso, foi Cecília quem pediu o divórcio.

E, quando pediu, Heitor se limitou a dizer:

— Contanto que você não se arrependa.

Na mesma tarde em que oficializaram o divórcio, Cecília solicitou transferência no trabalho. Foi enviada para outra filial, em um distrito diferente de Belnorte, como gerente geral.

Seis meses depois, ela deu à luz.

Heitor não conseguia descrever o que sentia.

— Não estou apenas abrindo espaço para a Srta. Nicole? — Cecília sorriu levemente. — Se você realmente levar a criança, acha que ela vai aceitar? Ouvi dizer que vocês estão prestes a se casar. E se ela ficar com raiva e terminar com você?

Depois de seis meses sem vê-la, Cecília parecia diferente. Ele não sabia dizer exatamente o quê, mas ela estava diferente.

Refletida no vidro da janela, ele a observou com atenção.

Antes, apesar de seu temperamento forte, ela era dócil e obediente como um gato domesticado quando estavam a sós. Agora parecia um gato selvagem.

Capaz de fazer uma brincadeira absurda como aquela?

Cecília aproximou-se e abriu a janela. O vento cortante do inverno entrou, dissipando um pouco a fumaça do cigarro.

— Mesmo que tenha sido um mal-entendido, fiquei curiosa. — Disse ela. — Se realmente houvesse uma criança, e você tivesse que escolher entre ela e a Srta. Nicole, qual escolheria?

Ela sabia muito bem o seu lugar. Nunca foi parte das opções dele.

— Não existe "se".

Heitor apagou o cigarro. Procurou um cinzeiro, não encontrou, e saiu com a bituca ainda na mão.

Ele não era do tipo que perderia tempo, no meio da madrugada, conversando com a ex-mulher.

Cecília pensou que, se não fosse por aquela postagem, talvez ele nunca mais aparecesse em sua vida.

A não ser por um mês antes, quando os dois se encontraram por acaso em um hotel. Ele estava bêbado. E eles acabaram dormindo juntos novamente.

Para evitar constrangimentos, Cecília se vestiu às pressas e foi embora antes que ele acordasse.

Ela queria enterrar aquele episódio para sempre. Mas, inesperadamente, ela estava realmente grávida. De seis semanas. O feto se desenvolvia de forma saudável.

Lá fora, a neve caía. Flocos grandes e densos tornavam ainda mais visível o homem vestido de preto.

Cecília fechou a janela e encostou a testa no vidro gelado, observando-o jogar o cigarro no lixo, entrar no Bugatti estacionado na rua e partir em alta velocidade.

Aquele carro parecia tão deslocado naquele bairro pobre.

Assim como Heitor. Alguém que nunca deveria ter existido na vida de Cecília.

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