Mesmo carregando uma ponta de dúvida, Leandro seguiu as ordens de Heitor e imediatamente repassou instruções ao departamento de projetos.
Às onze da noite, a festa chegou ao fim.
Cecília levou o carro até a entrada do hotel e ficou aguardando. Leandro havia bebido bastante, então Heitor providenciou para que ele se hospedasse ali mesmo. Assim, apenas Heitor e Nicole saíram do hotel.
Cecília desceu rapidamente do carro e abriu a porta para eles. Ela já havia trocado o vestido de gala por uma saia justa preta e uma camisa branca presa por um broche de diamante rosa. Tinha saído com pressa e não tinha vestido o sobretudo cinza. Ao sopro do vento frio, a gola se abriu, revelando a delicadeza sensual de suas clavículas.
— Heitor, estou com sono... — Um lampejo de alerta passou pelo coração de Nicole. Ela puxou Heitor, fazendo-o parar.
Como de costume, quando alguém bebia por ele, Heitor fazia questão de levar a pessoa primeiro para casa antes de voltar dirigindo. Desta vez, apoiou uma das mãos na porta do carro e disse:
— Entre primeiro. — Após acomodá-la, fechou a porta e, com voz grave, ordenou. — Você pode pegar um táxi e ir embora.
— Sim. — Assim que respondeu, Cecília sentiu o ar frio invadir seu peito, deixando o corpo gelado.
Ela contornou o carro, pegou o casaco e a pasta no banco do motorista e se afastou.
Nicole abaixou o vidro, lançando-lhe um olhar meio sorridente, meio provocador.
— Heitor, a secretária Cecília é uma mulher. Está tarde, será que não é perigoso?
Heitor, ainda ao lado da porta do motorista, voltou o olhar para Cecília.
Ela estava ali, sozinha, sob o vento noturno. A camisa colava-se ao corpo, delineando uma cintura fina que parecia caber numa mão. O rosto pequeno e delicado, com traços refinados, ganhava um ar ainda mais vulnerável naquela hora. O tipo de beleza que poderia despertar intenções perigosas em quem a visse.
Heitor franziu levemente a testa. Como chefe, não era apropriado simplesmente deixá-la ali. Mas...
— Obrigada pela preocupação, Srta. Nicole. Um táxi comum servirá. — Cecília sorriu com naturalidade.
— Então vamos, Heitor. — Nicole subiu o vidro imediatamente.
— Até mais. — Disse Cecília, mantendo o sorriso educado.

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