A postura de Cecília em relação ao trabalho era inquestionável.
Atrasar-se para uma reunião do conselho era algo grave. Se aquilo se espalhasse, recairia sobre ela, como secretária, a responsabilidade por negligência, o que poderia afetar sua carreira. Ela precisava esclarecer aquilo.
Leandro encaminhou a captura de tela que ela tinha enviado para Heitor.
— Sr. Heitor, o senhor não viu a mensagem de licença da secretária Cecília?
Heitor lançou um olhar para a imagem. Sua sobrancelha se franziu levemente enquanto abria a conversa com Cecília.
A última mensagem ali ainda era uma resposta de trabalho de dias atrás.
Seus olhos escureceram de imediato. Ele bloqueou a tela do celular, e uma aura fria e imponente emanou de seu corpo.
Ao ver isso, Leandro não ousou dizer mais nada.
Durante toda a tarde, Heitor mergulhou no trabalho.
Ao entardecer, Nicole trouxe um jantar preparado com carinho. Mas não ficaram nem alguns minutos dentro do escritório antes de ela sair abruptamente.
— Foi só uma mensagem! Precisava mesmo ser tão grosseiro comigo?! — Com os olhos vermelhos, ela deixou aquela frase no ar e saiu furiosa.
Na mesma hora, Leandro entendeu o que havia acontecido. Ele ligou imediatamente para Cecília, explicando toda a situação.
Cecília havia esperado pela resposta dele durante toda a tarde. Mas nunca imaginou que o desfecho seria aquele. Nicole havia apagado a mensagem.
— Secretária Cecília, da próxima vez que for pedir licença, tente ligar diretamente.
— Entendi. Obrigada, assistente Leandro.
Ao desligar, uma dor latejante tomou conta de sua cabeça.
Na manhã seguinte, depois de insistir várias vezes, o médico finalmente autorizou sua alta.
Flávia foi levar café da manhã para ela, mas, ao chegar, encontrou o quarto vazio. Só então, perguntando à enfermeira, soube que ela já havia ido embora.
— Vovó, você acha que a Ceci está passando por alguma coisa? — De volta ao quarto de Judite, Flávia não conseguiu conter sua curiosidade. — A enfermeira não deixou ela sair, mas ela insistiu e nem me avisou.
— A Ceci foi internada? — Judite estava sentada junto à janela, tomando sol. Ao ouvir isso, franziu a testa.
Flávia ficou sem palavras por um instante. Ela havia esquecido completamente que ela estava escondendo aquilo da avó.
— Não é à toa que você estava distraída desde ontem, sempre sumindo... — Judite se levantou, com uma expressão séria. — Diga a verdade.
Sem escolha, Flávia contou tudo, detalhadamente.
— Vovó, será que ela está com alguma doença e não quer que a gente saiba?
Judite fez um gesto no ar, como se afastasse maus presságios.
— Não diga esse tipo de coisa! Dá azar. Vá pegar o prontuário dela, aí saberemos.
Flávia foi imediatamente buscar o prontuário de Cecília.
Dez minutos depois, voltou com o documento nas mãos, o semblante sério.
— Vovó, aconteceu algo sério...
Após a febre baixar, os sintomas do resfriado ainda eram fortes, deixando Cecília atordoada o dia inteiro.
À noite, Manuela fez uma chamada de vídeo. Ao ouvir sua voz, percebeu algo estranho.
— E essa voz toda nasal? Você está doente?
— Sim, tive febre. Já fui ao hospital. — Cecília segurava uma tigela de sopa e respondeu.
— Vou te buscar. Vem ficar uns dias aqui em casa. — Manuela levantou-se, já indo em direção à porta.
— Não precisa. — Cecília apressou-se em dizer. — Você tem um bebê em casa, posso acabar passando a doença.
— Para uma grávida, ficar doente não é brincadeira. Ainda mais você, sozinha. Não seja teimosa numa hora dessas! — Como alguém que já havia passado por isso, Manuela respondeu com seriedade.
— Já fui ao médico. Depois que a febre passa, fica tudo bem. Vamos colocar o bebê em primeiro lugar. — Cecília afirmou várias vezes.
— Tudo bem, mas qualquer coisa, me liga. — Vendo que ela insistia, Manuela não forçou mais. Em vez disso, mudou de assunto. — Vi nas notícias que seu ex-marido vai ficar noivo depois do Ano-Novo.

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