— Desça. O shopping ao lado tem uma loja de sorvete também. Vou comprar outro para você, mas só pode ser um pequeno...
Manuela se aproximou, bloqueando a visão dela, e bateu duas vezes no vidro do carro. Vendo que ela não descia, Manuela abriu a porta diretamente e a puxou para fora.
Cecília foi pega de surpresa e acabou saindo do carro. Seu olhar tremulou enquanto ela passava por Manuela e olhava para aquele lugar.
Debaixo da sombra das árvores, no canto do condomínio, a imagem de Heitor parado ali momentos antes estava extremamente clara em sua mente.
Aquilo fez com que ela se lembrasse de uma vez em que Heitor havia ido buscá-la ali.
Naquela época era inverno. Os galhos estavam secos, cobertos por neve e geada. Heitor usava um sobretudo preto e esperava por ela parado ali, enquanto ela descia.
Por um instante, as duas imagens se sobrepuseram. Mas agora, aquela figura sob a sombra das árvores havia desaparecido.
As árvores eram densas e verdes. A luz do sol que atravessava os galhos projetava sombras, deixando o local um pouco escuro.
Onde estava Heitor?
— Ei, o que você está olhando? — Vendo que ela permanecia olhando fixamente para um lugar, Manuela levantou a mão e acenou diante de seus olhos.
— Não é nada. — Cecília voltou a si de repente e balançou levemente a cabeça. — O que você disse mesmo?
— Eu disse que vou levar você ao shopping mais próximo para comprar sorvete. — Manuela seguiu o olhar dela e também olhou para aquela árvore.
— Não precisa. Estou com um pouco de fome. Vamos comer. — Cecília indicou que elas deveriam entrar no carro.
No fim, Cecília foi a primeira a se abaixar e entrar.
Manuela fechou a porta para ela e, enquanto dava a volta até o banco do motorista, olhou mais uma vez para a sombra da árvore.
Aquela árvore já tinha muitos anos e era extremamente robusta.
Vagamente, era possível ver uma ponta de tecido preto aparecendo atrás dela.
O movimento de Manuela ao abrir a porta do carro parou. Um traço de surpresa passou por seus olhos, mas rapidamente ela voltou ao normal e entrou no carro.
— Vamos.
Ela dirigiu para longe do condomínio e, pelo retrovisor, olhou para a árvore. Quando fez a curva, conseguiu ver claramente uma pessoa parada atrás dela.
Heitor estava encostado no tronco da árvore. Seu corpo esbelto e forte permanecia imóvel. A mão colocada no bolso segurava uma parte do paletó preto. Na outra mão, ele segurava o celular e fazia uma ligação.
— Leandro, quero todas as informações detalhadas dos acontecimentos da vida da Cecília no último ano. Nada pode ser omitido.
— Cecília, a secretária? — Leandro ficou extremamente surpreso. — Sr. Heitor, aconteceu alguma coisa?
— Me entregue em meia hora. — O olhar de Heitor era sombrio e profundo.

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