— O que você está fazendo aqui? — Nicole já tinha visto Cecília antes mesmo de descer do carro.
Fingiu não notar, entrou no setor de internação ao lado de Heitor e, depois, inventando que havia esquecido algo, voltou sozinha.
— Srta. Nicole. — Cecília inclinou levemente a cabeça.
Sua postura era tranquila, nem submissa, nem arrogante, apenas educada e distante.
— Para de fingir! — Nicole não se deixou enganar. — Mesmo com essa atitude, para mim você não passa de um espinho atravessado na garganta!
— Não há necessidade de tanta hostilidade contra mim. — Disse Cecília, com calma. — Eu sou apenas a secretária do presidente Heitor, e em breve estarei me demitindo. — A expressão dela era serena.
— Mesmo que você não vá embora, não vai impedir meu noivado com o Heitor, muito menos que ele se case comigo! — A irritação de Nicole diminuiu um pouco, mas sua língua permaneceu afiada.
O inverno de Belnorte era impiedoso. No canto onde estavam, o vento soprava direto, infiltrando-se pelas roupas de Cecília, cortante e gelado.
Finalmente, Nicole pareceu cansar de falar.
— No primeiro dia de trabalho depois do Ano-Novo, eu quero ver sua carta de demissão na mesa.
Era um ultimato.
Sem esperar resposta, ela se virou e entrou no hospital.
Cecília olhou na direção em que ela desapareceu e logo desviou o olhar. Virou-se e caminhou até o carro, enfrentando o vento cada vez mais feroz.
No quarto de Judite, Heitor chegou primeiro, carregando uma marmita térmica.
Ao ver o rosto corado e saudável da avó, sua expressão suavizou levemente.
— Vovó, vim buscá-la para irmos para casa.

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