— Você já ficou comigo quase o dia inteiro hoje. O Gustavo com certeza está te xingando pelas costas. Melhor você ir logo pra casa — disse Sofia Palmeira para Melina Barbosa.
— De jeito nenhum. Você acabou de sair da cirurgia. Se levantar sozinha à noite, não vai dar certo. Eu vou ficar aqui com você — respondeu Melina Barbosa com firmeza.
Sofia Palmeira pensou que, se deixasse Melina Barbosa passar a noite ali, Gustavo Ferreira não ia só xingá-la — teria vontade até de matá-la!
Nesse momento, a porta do quarto se abriu e Elisa Ferreira entrou.
— Meu irmão não está te xingando, não. Ele só pediu pra eu vir ficar com você — disse Elisa, com um sorriso discreto.
Sofia Palmeira olhou para ela, surpresa.
— Você?
— Estou te incomodando tanto assim? Que cara é essa? — Elisa deu de ombros, fazendo pouco caso.
Devia ter pensado melhor antes de contar que conhecia Sofia Palmeira.
— Meli, melhor contratar uma cuidadora pra mim. Estou com medo — Sofia Palmeira se virou para Melina Barbosa.
— Tudo bem — concordou Melina.
— Não precisa, meu irmão já providenciou alguém pra cuidar de você — interrompeu Elisa Ferreira.
— Assim está melhor. Pegou minha melhor amiga de mim, pelo menos devolveu uma cuidadora. Só você... acho um pouco demais por aqui — Sofia Palmeira não perdeu a chance de alfinetar.
Apesar de já terem se acostumado uma com a outra, Sofia Palmeira ainda se divertia provocando Elisa Ferreira.
Elisa fez uma careta.
— Você acha mesmo que eu quero ficar aqui? Só estou aqui porque...
— Porque o quê? Hein? — Sofia Palmeira encarou Elisa, sem piscar.
Ela sabia que Elisa só estava ali por desculpa, queria mesmo era um pretexto para ficar por perto.
Elisa mordeu os lábios, hesitou, depois passou a língua neles antes de responder:
Elisa desabafou tudo com Sofia Palmeira.
No fundo, Sofia até sentia alguma pena de Elisa, mas não muita.
Ela mesma gostaria de ter uma mãe assim, que cuidasse dela, desse dinheiro, abrisse caminhos e facilitasse tudo.
Ricos têm dessas coisas: reclamam da falta de liberdade, da pressão do amor dos pais, como se fosse um fardo.
Mal sabem eles que o amor sufocante de que tanto reclamam é justamente o que pessoas como Sofia mais desejam.
Melina Barbosa, depois de ouvir todo o desabafo, aproveitou para sair de fininho.
Depois de falar tudo o que queria, Elisa Ferreira parecia mais leve e logo pegou seu tablet.
— Está estudando? Vai fazer mestrado? — Sofia Palmeira notou o conteúdo na tela de Elisa.
— Uhum. Você já fez? Agora estou estudando as matérias obrigatórias — respondeu Elisa, distraída.

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