Ponto de vista do Bastien
"Você ia me marcar!"
Tropeço para trás, atordoado, quando as palavras de Selene perfuram a névoa da luxúria. Ela está certa, eu estava prestes a marcá-la.
Meus instintos assumiram completamente o controle, e Axel estava me pedindo para marcá-la como fizera mil vezes antes, mas o meu antigo autocontrole se foi há muito tempo. Passei três anos achando que Selene estava morta e, por isso, beijá-la novamente foi demais para resistir. Se eu a marcasse, desse aquela mordida abrasadora que a ligaria para sempre a mim e anunciasse ao mundo que ela é minha, ela nunca mais poderia fugir.
Mesmo agora, sabendo o quão errado seria marcá-la sem o seu consentimento, tenho que admitir que a ideia é tentadora. Observo cada faceta de sua expressão e comportamento. Ela é tão linda com a sua loba brilhando nos olhos, uma loba que ainda procura o meu apesar das objeções de Selene.
Não consigo ouvir o seu chamado, mas Axel certamente consegue. 'Ela está me chamando...' Ele insiste. 'Ela precisa da marca tanto quanto nós. Está sofrendo...'
Estudo Selene com cuidado, e leio raiva e desejo em suas feições impressionantes, muito mais do que qualquer medo ou rejeição. Sei que Axel está certo tanto quanto sei que a parte humana de Selene não tem intenção de me dar permissão para marcá-la. Então, quem deve decidir, a mulher ou a loba?
Inclino a cabeça para o lado, sentindo o cheiro da excitação de Selene ainda pesado no ar. "Me diga para não fazer isso." Ordeno com voz rouca.
"O quê?" Ela vacila, dando um passo para trás, apesar de eu não ter me movido um centímetro.
"Se você não quer que eu te marque..." Instruo devagar. "Peça para que eu não faça isso, diga à sua loba para parar de implorar pela minha marca."
"Eu... Ela não está fazendo isso!" Selene insiste com pouca convicção.
"Sem mais mentiras, lobinha." Eu a repreendo, demonstrando um pouco de dor e raiva por vê-la tentando me enganar.
"Não estou mentindo." Ela balança a cabeça de forma pouco convincente, então cede. "É você quem está fazendo isso!" Selene acusa, parecendo estar à beira das lágrimas. "Diga ao seu lobo para parar de chamá-la!"
'Ela não pode dizer não, porque quer isso tanto quanto você.' Axel ruge. Este é um daqueles momentos em que ter um lobo é totalmente inconveniente. Afinal, ele é governado pelo instinto, e o instinto supera a lógica em dez para um. Ainda assim, não posso deixar de me sentir inseguro quando sua doce voz insiste no contrário.
'Olhe para ela.' Axel comanda com força, fazendo os meus olhos hipersensíveis mirarem a loba novamente. 'Ela está exatamente como nos nossos primeiros dias juntos, tão nervosa e tomada por sentimentos que está fora de si. Cada onda de energia que emana do seu corpo clama pelo meu conforto, e isso não posso negar. Ajude ela.' Meu lobo ordena.
Olhando por cima do ombro para a filhotinha adormecida no sofá, tomo a minha decisão. Pego Lila e a carrego até o primeiro quarto que encontro e a coloco embaixo de cobertas grossas para, em seguida, enchê-la de beijos na cabeça perfumada, sentindo uma onda de calor quando ela sorri e arrulha durante o sono. 'Minha.' Diz Axel.
'Sim. Já te ouvi nas primeiras cem vezes.' Eu o lembro, irritado.
Quando volto para a sala principal, vejo Selene andando agitada, parecendo ter feito muito esforço para não me seguir. Ela está torcendo as mãos, mas quando me aproximo dela, seus olhos não se voltam para o quarto onde deixei a sua filhote, eles estão grudados em mim.
"Me diga para não marcar você." Repito. "Me faça acreditar que você não quer isso, Selene, e isso para por aqui."


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...