Ponto de vista do Bastien
Um par de guardas flanqueiam a entrada do quarto de Selene e Lila na casa do bando. Aparentemente, a nossa chegada, combinada com a ameaça da recompensa, foi suficiente para persuadir a minha companheira a se mudar - mesmo que apenas temporariamente.
Eles tentam me parar, mas logo param ao avistarem a minha carranca, afastando-se para que eu possa bater à porta. Preparando-me para uma luta, bato na madeira pesada, ouvindo a movimentação dentro com a respiração presa.
A porta se abre, revelando uma Selene assustada. Seu cabelo está preso em um coque bagunçado, e seu vestido de verão azul parece estar salpicado de água. Sinto o cheiro de espuma de banho e xampu e suspeito que perdi a hora do banho.
"Bastien." Ela me cumprimenta, rígida, com o nervosismo à flor da pele. Meu lobo choraminga, querendo confortá-la, mas eu o seguro. Não quero que Selene tenha medo de mim, mas não posso lhe dar nenhum alívio - ainda não.
Apoio as mãos no batente da porta e me aproximo, mas não entro na suíte. "Nós precisamos conversar."
Ela se move inquieta. "Estou levando Lila para a cama agora."
Olho por cima da cabeça dela, procurando pelo recinto com curiosidade. Com certeza, Lila está enrolada no sofá com um pijama de pezinhos, com o cabelo ainda úmido do banho. Suas pálpebras tremem pesado, embora ela claramente queira ficar acordada, pois a cada poucos segundos, ela se sacode um pouco e arregala os lindos olhos, lutando teimosamente contra a sonolência que ameaça vencê-la.
Meu coração transborda no peito, enchendo-se de ternura e carinho pela adorável filhote. Achei que me sentiria diferente agora que sei que ela não é minha, que estava imaginando o vínculo que sinto com ela, e que minha mente delirante havia construído um conto de fadas baseado em falsas esperanças e estupidez.
Mas fitando-a agora, sei que não imaginei nada. Estou tão obcecado pela pequena criatura quanto fiquei no momento em que coloquei os olhos nela pela primeira vez. Não vejo Drake nem me lembro da traição de Selene, não sinto nenhuma pontada de ressentimento e ciúme - só existe amor. Amor pela loba boba que está inutilmente tentando bloquear a minha visão do apartamento e pelo ser perfeito que ela gerou.
"Eu posso esperar." Eu aviso a minha companheira, passando por ela sem pedir permissão para entrar.
Um ruído estrangulado soa na garganta dela ao me observar caminhar pela sala até o sofá estofado. Um largo sorriso se abre no meu rosto quando Lila percebe a minha chegada e se anima de felicidade ao me ver.
"Bashun!" Ela exclama, e sua excitação afasta o seu sono um pouco mais.
Engancho as mãos sob os seus braços estendidos, e puxo a criança para cima para um abraço. "Olha só o que temos aqui?" Eu resmungo de brincadeira. "Essa é mesmo a mesma filhote que vi algumas horas atrás? Ela está tão limpa!"
Lila se aconchega no meu peito na mesma hora, embora seu nariz se enrugue de indignação. "Já tava limpa!" Ela me informa com um beicinho. "Não precisava de banho."
Ela me lembra tanto Selene que não consigo suportar. Mesmo irritada, é tão doce que meus dentes doem. "Mas você está cheirando tão bem agora." Eu a provoco. "Tão bem que eu poderia comê-la!" Eu acaricio seu ombro fazendo sons de nom nom nom, e Lila começa a rir histericamente, contorcendo-se nos meus braços.
Posso ver Selene se aproximando com o canto do olho, ainda parecendo incerta. "Ninguém comerá nenhum filhote esta noite." Ela anuncia baixinho. "É hora de dormir."
"Quero história.” Lila declara, olhando para mim por baixo dos cílios.
Selene estende as mãos para tirar a criança de mim, mas eu me viro antes que ela possa fazer contato. "Acho que posso fazer isso." Digo a Lila com indulgência. "Qual é o seu quarto?"
"Quele um." Ela responde imediatamente, apontando para trás de mim.
Sem olhar para a mãe da menina, carrego a filhote para a cama, aconchegando-a e me acomodando ao lado dela no pequeno colchão. A minha companheira nos segue de perto, pairando na porta e nos observando com uma mistura de descrença e confusão. Então eu a miro e estendo o meu braço livre, convidando-a para se deitar do meu outro lado.
Selene nega com a cabeça desafiadoramente, e eu semicerro os olhos, emitindo um estrondo baixo enquanto Axel uiva por sua companheira. O corpo de Selene treme visivelmente conforme os sons chegam nela, e ela se afasta da porta para escapar das sensações.
A sós com Lila, pergunto. "A sua mãe conta histórias todas as noites?"



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...