Ponto de vista da Odette
Ver Lila correndo alegre pelo playground, gritando de felicidade, transporta-me para o passado. Não sou mais uma viúva solitária que já passou do auge da vida, sou uma jovem mãe com toda a vida pela frente. Meu companheiro amoroso e poderoso está ao meu lado, e juntos olhamos com espanto enquanto o nosso filhote encontra seu caminho no mundo.
Meu coração dói ao relembrar aqueles dias tranquilos, mas a nostalgia e a dor não são o que mais me preocupa. A princípio, pensei que estava vendo flashes de Bastien na filhote de Selene por causa do meu desejo de ser avó. Mas agora consigo compreender tudo melhor.
Ela pode ser a miniatura da mãe na aparência, mas Lila é o clone do meu filho em espírito. Há tanto de Bastien nela que não consigo acreditar que ele não tenha enxergado a semelhança. Suponho que seja difícil reconhecer os próprios trejeitos e expressões em outra pessoa, mas eu os reconheceria em qualquer lugar. Uma mãe nunca esquece, e não é a bebê de Selene que estou vendo na minha frente - é o meu bebê.
Não importa o que dizem os testes de DNA, agora está óbvio que Lila é filha de Bastien. As pistas vão muito além da aparência ou personalidade da filhote, e, assim que reconheci a possibilidade, as peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar. Selene estava muito doente nas semanas anteriores à sua suposta morte, sem mencionar as mudanças de humor e a exaustão. Eu deveria ter reconhecido o motivo na hora, mas estava distraída por causa da morte do Gabriel.
Não sei as motivações dela para mentir, ou como o resultado do teste deu negativo, mas pretendo descobrir o que de fato aconteceu. Claro que não vou repetir o erro do meu filho Bastien e agir pelas costas dela, pretendo confrontá-la. Vou encontrar algum tempo para ficarmos a sós e perguntar-lhe o que houve.
Sou capaz de compreender a pressão, os medos e a tensão da maternidade de uma forma que o meu filho e os seus Betas nunca entenderiam. Também sei o quão fortes são os instintos de proteger os nossos filhos, quão primitivos. Não vou tirar conclusões precipitadas.
Se Selene estiver mantendo esse segredo por motivos convincentes, posso até guardar segredo, pois, conhecendo a minha nora, suspeito que deve haver um bom motivo para esconder a identidade da filhote. No entanto, se eu estiver errada, e se ela estiver mentindo por causa de inseguranças tolas ou rancor, não hesitarei em contar a Bastien.
O fato é que Lila é tanto uma loba Volana quanto um filhote de Alfa. Não vou tolerar que a minha neta perca os privilégios e a proteção que tem direito, a menos que eu seja convencida de que é a opção mais segura.
Suspiro e balanço a cabeça, enquanto continuo acompanhando com os olhos os movimentos do corpinho de Lila. Ela está usando um vestido de verão vermelho brilhante, embora a roupa pareça pouco mais que um borrão do jeito que ela está voando pelo parque.
Um movimento pisca na minha periferia, e um cheiro familiar enche o meu nariz. Então, eu me viro para cumprimentar a mãe de Drake, Diana. Ela e eu somos velhas amigas, unidas pela experiência de acasalar com Alfas e criar seus herdeiros.
Eu logo a envolvo em um abraço. "Diana! Há quanto tempo."
"Eu sei." Ela lamenta. "Eu achava que a aposentadoria de Joseph nos daria mais tempo para viajar, mas nããão." Ela brinca, referindo-se ao marido. "Tudo o que ele quer é se trancar no escritório e ler!"
"Você pode viajar sem ele." Sugiro, sabendo que é uma ideia infrutífera. Joseph pode ser o segundo marido de Diana e apenas um companheiro escolhido, mas ele ainda é um Alfa, e, por isso, não gosta de deixar sua esposa fora de vista.
"Bem que eu queria." Ela murmura. "Eu adoraria ficar com você em Elysium por um tempo."
"Bom, você é bem-vinda a qualquer hora." Eu lhe asseguro, estendendo a mão para apertar a sua.
Diana sorri e retribui o gesto. "Obrigada." Ela olha ao redor do parquinho, avistando Lila. "Acho que você está de babá!"
Sigo seu olhar com a curiosidade crescendo no peito. Lila parece não ter notado a presença de Diana, ou simplesmente não se importa. Da mesma forma, Diana não parece muito interessada no comportamento estranho da filhote, considerando que ela deveria ser sua avó. "Me diga uma coisa... você vê o Drake nela?"
Diana pisca, e a compreensão chega rápido às suas feições. "Não." Ela responde com honestidade. "E você?"
"Ela me lembra tanto o Bastien... É estranho."
Diana assente com a cabeça, pensativa. "Somos amigas há muito tempo, Odette." Ela aborda suavemente. "Mais tempo do que os nossos filhotes entenderiam. E nossa amizade significa mais para mim do que quaisquer joguinhos deles." Ela continua.
"Drake assumiu a Lila como sua publicamente. Não posso fingir que sei o que está acontecendo com ele e Selene, nem que entendo tudo o que está em jogo, mas sei disso..." Ela confidencia. "A Selene deu à luz seis meses depois de chegar em Asphodel."
"E a bebê?"
"A termo." Diana confirma. "Ela era pequena, mas não prematura."
Assinto com a cabeça, esta nova informação fornece mais uma pista esclarecedora. "Obrigada por me dizer isso."
"Claro." Ela suspira. "Embora eu admita que não me importaria se ela fosse de Drake. Ela é uma coisinha tão linda... e já passou da hora desse menino acasalar."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...