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Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 81

Ponto de vista do Bastien

Enquanto o laboratório prepara o antídoto para Lila, Selene está tão exausta que mal consegue manter os olhos abertos. Ela está se esforçando para ficar acordada, mas os últimos dias foram exaustivos de todas as formas possíveis.

Por mais prazerosos que sejam os ciclos de acasalamento, o sexo ininterrupto por horas a fio exige muito da pessoa - assim como resistir aos hormônios para conseguir fazer outras coisas normalmente quando você inevitavelmente precisa. Quase sem dormir, a minha pobre lobinha teve que lidar com o cio, com a filhote sendo sequestrada, depois ela mesma sendo levada e agora isso. Se não fosse pelo tempo que passou sob os efeitos do starlight, acho que o estresse a teria derrubado horas atrás.

Eu mesmo não estou na minha melhor forma, mas fui treinado para suportar a guerra, para sobreviver nas condições mais duras imagináveis e de alguma forma perseverar. Além disso, assim como Selene se empenha por Lila, eu me esforço por ambas. Estou entre a cama das duas, segurando a mão da minha companheira e olhando maravilhado para a minha filhote.

Eu sou pai. Não um substituto de outro homem, guardião ou pai adotivo, mas um verdadeiro pai. Ainda não parece real. Já pensava que era o b*stardo mais sortudo do planeta só por chamar Selene de minha e ajudar a criar Lila. Agora acho que devo estar sonhando.

"Você realmente deveria tentar descansar um pouco." Encorajo Selene pela décima vez, acariciando a palma da sua mão com o polegar. "Prometo que te acordo se algo mudar."

Selene nega com a cabeça, fraca. "Não." Ela responde com voz rouca. "Não até que eu saiba que ela está bem."

Felizmente, não precisamos esperar muito mais. Selene tem observado os sinais vitais de Lila como um falcão, e quando os médicos finalmente entram com uma seringa cheia de um estranho líquido roxo, ela praticamente tenta pular da cama, porém eu a pego antes que vá muito longe. Não que isso seja difícil, seus movimentos estão lentos e instáveis, como um bêbado debaixo d'água.

"Ok, sr. e sra. Durand, o antídoto está pronto." A médica anuncia, mostrando-nos o medicamento. "Vou injetar direto no soro dela para que entre no sangue de forma adequada e rápida."

"Tem certeza de que vai funcionar?" Selene se preocupa.

"Nada é cem por cento." A médica se resguarda. "Mas nunca ouvi falar desse tratamento ter dado errado." Ela pressiona a agulha em um dos pequenos orifícios ao longo dos tubos transparentes que alimentam os braços de Lila e pressiona o êmbolo. O líquido roxo sai lentamente da seringa e entra nos tubos, depois desaparece nas veias da menina. "Vai demorar um pouco para reanimá-la completamente."

"Quanto tempo?" Eu pressiono, com a agitação aumentando agora que o momento da verdade é iminente.

"Meia hora? Mais ou menos isso."

"Meia hora." Repito para Selene, beijando sua mão. "Isso não é tão ruim."

A espera é terrível, mas depois de cinco minutos os sinais vitais de Lila começam a melhorar. Seu batimento cardíaco fica mais estável, e sua pressão sanguínea sobe, até mesmo a sua cor começa a parecer um pouco melhor.

"Bastien." Selene aperta as minhas mãos com o máximo de força que consegue – o que não é muito. "Olhe!"

"Eu sei, querida. Está funcionando". Eu lhe asseguro.

Por um momento, acho que ela vai começar a chorar de novo, só que não parece aliviada ou feliz como eu esperava. "O que foi?"

"Ela está muito longe..." Selene reclama em voz baixa.

Meus lábios se comprimem em uma linha dura enquanto estudo a filhote, observando todos os fios e máquinas ligadas ao seu corpo minúsculo. É impossível colocá-las na mesma cama, mas Selene não está tão emaranhada em equipamentos. Tomando cuidado para puxar o suporte de soro conosco, pego a minha companheira e a coloco no meu colo, movendo a cadeira o mais próximo possível da cama de Lila.

Ela está completamente mole, com a bochecha molhada pressionada contra a curva do meu pescoço. Mas ainda assim, espia a filhote. "Mais perto."

'Ela precisa dormir.' Axel reclama, a preocupação com a nossa companheira passando por cima da felicidade por Lila. 'Está delirando.'

'Não vou fazê-la dormir antes que a filhote acorde.' Contraponho. 'Ela pode aguentar um pouco mais.'

"Silêncio, querida." Eu a acalmo, esfregando suas costas. "Não vai demorar muito agora."

"Por que isso está acontecendo?" Ela sussurra, tão baixinho que quase não a ouço. "Por que alguém está sempre tentando nos machucar?" Meu coração quebra ao meio ao ouvir a dor na sua doce voz. O pior é que não tenho uma resposta. A vida de Selene tem sido um trauma após o outro, e parece nunca parar. "Não quero que Lila viva assim."

"Ela não vai..." Eu juro, não tendo a menor ideia de como consertar nada disso, mas certo de que encontrarei uma maneira. Não vou deixar que essa seja a história da minha filha – ou da minha companheira, não mais. "Eu prometo, Selene, nem que seja a última coisa que eu faça, vou deixá-la segura."

Infelizmente, Axel está certo e Selene está aquém da lógica e da compreensão, está indo cada vez mais fundo, mergulhando em pensamentos sombrios e medos enterrados. "O que fizemos para merecer isso?" Ela continua, cansada. "A vida é sempre tão difícil?"

Parece que estou dormindo há dias. Meu corpo está tão pesado e devagar que não consigo levantar um dedo. Acho que devo estar drogada. Sinto-me tão calma e descansada, como se estivesse flutuando em uma brisa quente.

Posso ouvir a preciosa voz de Lila em algum lugar à minha esquerda, assim como sinto Bastien por perto. "Mamãe está com muito sono." Ela está dizendo.

"Ela está, sim." Bastien concorda. "Ela teve alguns dias muito difíceis. Vocês duas tiveram."

"O que aconteceu com o homem mau?" Lila pergunta, sem dúvida pensando em Martin.

"Ele foi embora." Bastien a informa. "E nunca mais vai voltar."

"Isso é bom." Lila gorjeia, provocando uma risada do pai. Ela ri de volta, demorando-se na diversão compartilhada antes de falar novamente. "Bashun, estou com fome."

"Bom, podemos conseguir alguma comida para você." Ele brinca, com um tom estranho na voz baixa. Mas quando ele fala de novo, entendo o porquê. "Mas em vez de Bastien, você não gostaria de me chamar de papai?"

"Papai?" Lila o imita, pensativa. Meu coração palpita, ele está oferecendo à minha filha a única coisa que nunca pude lhe dar e que pensei que ela nunca teria.

"Isso mesmo, porque é quem eu sou. Eu sou o seu papai."

"Eu nunca tive papai antes." Lila pondera.

"Agora você tem!" Ele responde com adoração.

Meu coração foi partido de tantas formas ao longo dos anos que perdi a noção de todas as marcas; todas as fraturas. Muitas vezes, não percebo que uma peça foi quebrada até que seja consertada, e isso não é diferente. Nunca percebi o quanto precisava ouvir Lila chamando Bastien de 'papai', ver a minha filhote e o meu companheiro juntos. É uma palavra tão pequena, um gesto simples, mas carrega todo o peso do mundo. Agora que a verdade foi revelada, podemos finalmente ser uma família.

Somos uma família - finalmente.

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