Ponto de vista da Selene
O café fecha às segundas-feiras, mas quando Bastien e eu chegamos, as luzes já estão acesas e o cheiro de carne assada emana da cozinha. Meu estômago ronca em resposta, e miro o meu companheiro, confusa. "Você deu as minhas chaves para alguém?"
Seu lábio se curva. "Para Donavon."
Eu deveria ter adivinhado, já que Donavon sempre foi um chef maravilhoso e aproveita todas as oportunidades para inventar novos pratos e receitas.
"Oh!" Eu relaxo, enquanto cumprimento o Beta.
Ouço uma voz respondendo de longe, e então a cabeça de Donavon aparece ao canto com o cabelo grisalho preso em um rabo de cavalo. "O jantar está quase pronto – mais dez minutos e deixarei vocês em paz."
Fico desconfortável ao ver o homem mais velho cozinhando para nós, e Bastien ri com a minha expressão. "Não se preocupe, ele se ofereceu para fazer a comida." Ele me garante. "E não é só para nós, ele está fazendo a mais para levar para o apartamento."
"Ah, que bom." Eu relaxo um pouco, olhando ao redor do espaço familiar. Todas as mesas estão vazias, exceto uma. Um espaço aconchegante no canto está decorado com uma toalha de mesa branca imaculada e talheres de prata reluzentes. Velas brilham no centro, e uma garrafa de vinho tinto aguarda com duas taças vazias.
Bastien me puxa para lá, esperando que eu me sente antes de se ajeitar no assento oposto. Meus olhos se arregalam de surpresa quando percebo que ele pretende se sentar na minha frente, ja que ele nunca me deixa fora do alcance do braço se puder evitar. Mesmo antes de tudo isso acontecer, ele preferia me manter por perto - costumando sempre me tocar, com raras exceções. Eu achava que era uma demonstração de posse ou proteção, mas agora entendo que ele simplesmente faz porque quer.
A ansiedade corre nas minhas veias, e meu coração bate um pouco mais alto.
'Não estou gostando disso.' Luna diz.
'Eu também não.' Admito trêmula.
"Não fique tão alarmada, querida." Bastien ronrona, servindo o vinho e me oferecendo uma taça. "A distância é simplesmente para garantir que não tenhamos nenhuma distração."
Isso é justo, suponho. Meu cio pode atacar nos momentos mais inconvenientes, e se ele estiver me tocando quando isso acontecer... bem, digamos que não vamos conversar.
Nesse momento, a porta da cozinha se abre e Donavon aparece carregando dois pratos fumegantes. A comida parece incrível quando ele a coloca na nossa frente e, embora eu esteja morrendo de fome, estou tão nervosa que não tenho certeza se conseguirei comer alguma coisa.
Bastien está franzindo a testa, acho que o cheiro do meu medo o está agitando. Sei que ele está furioso comigo, mas duvido que queira me assustar. Imagino que ele esteja com a mesma sensação que vivencio quando tenho que disciplinar Lila por alguma travessura. Sei que é a coisa certa a fazer, mas vê-la sofrer as consequências me enche de uma culpa terrível. E ficaria horrorizada se pensasse que ela estava com medo de mim.
Quando Donavon se retira, Bastien levanta os talheres e me pergunta algo inócuo sobre o meu dia, deixando-me totalmente desconcertada. Mais tarde, percebo que ele fez isso para me ajudar a relaxar e a colocar um pouco de comida no estômago, porque durante a hora seguinte tivemos um jantar perfeitamente agradável.
Foi só depois, quando uma segunda garrafa de vinho foi aberta, e nós dois estávamos saciados, que ele chegou no assunto.
"Então..." Bastien começa, inclinando-se para trás no assento e me olhando com uma intenção letal. "Por onde você quer começar?"
Congelo com a taça de vinho a meio caminho dos lábios. "O que você quer dizer com isso?"
Nesse momento, ele é o Alfa predador. "Bom, você tem algumas opções, Selene." Ele resmunga. "Pode explicar por que não me contou que Drake te beijou, ou o motivo pelo qual foi por vontade própria até Martin sem contar a ninguém para onde estava indo ou o que estava acontecendo..." Ele coloca a própria taça na mesa antes de acabar quebrando-a. "E, por fim, pode dizer por que não me disse que eu era o pai de Lila."
Oh Deusa, pensei que isso fosse apenas sobre a paternidade da Lila, esqueci-me completamente da tentativa de beijo de Drake e do bilhete de resgate. Em retrospectiva, faz todo o sentido Bastien desaprovar essas condutas, mas nunca considerei sua reação.
Engolindo em seco, começo. "Drake não me beijou de verdade." Espero que ele me contradiga ou me questione, mas ele simplesmente fica sentado me observando com aquele mesmo olhar intenso. "Ele tentou, mas eu o repeli."
O queixo do meu companheiro cai, e seus olhos prateados ficam duros. "Tudo bem. Vou falar de outra forma. Por que você não me disse que outro Alfa flertou com você?"
"Porque nada aconteceu. Você é o meu companheiro, e eu escolhi você. Contar o ocorrido só pioraria as coisas entre você e Drake."
Bastien suspira, e posso vê-lo lutando por paciência. "Selene, eu sei que você nunca aprendeu sobre essas coisas, mas você considerou o que a minha marca significa?"
Dou de ombros, confusa sobre por que de repente estamos discutindo marcas. "Que somos companheiros."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...